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De Half Baked a Beltools: como o Surreal Park fortalece a cena por meio de suas label parties

Em abril deste ano, o Surreal Park realizou uma edição do Festival Soul Surreal que reuniu três marcas de peso em uma mesma noite: Defected, uma das gravadoras mais importantes da história da house music, D-EDGE, referência da cultura clubber brasileira, e We Are Lost, projeto de Guy J dedicado ao progressive house. Cada uma assumiu a curadoria de uma pista, com lineups que trouxeram artistas como Carl Craig, Moodymann, KiNK, Len Faki, Sasha e Guy J, mostrando como diferentes vertentes da música eletrônica podem dividir o mesmo espaço por lá.

Essa configuração tem sido uma característica importante do Surreal Park desde sua inauguração, em 2021. Ao longo dos últimos anos, o club de Camboriú abriu suas pistas para dezenas de gravadoras, coletivos e marcas de festas, de iniciativas independentes do Sul do Brasil a projetos internacionais com décadas de história. 

Em março de 2024, recebeu a celebração dos 15 anos da Half Baked, respeitada label londrina ligada ao house e minimal, com Margaret Dygas comandando o Raw Room. Meses depois, foi a vez do lendário fabric, de Londres, celebrar seus 25 anos com um showcase na pista Church, representado por artistas como Magda e Bobby. Em dezembro daquele mesmo ano, a FCKNG SERIOUS, gravadora fundada por Boris Brejcha e seus parceiros, ocupou o Bells com Ann Clue, Deniz Bul e Moritz Hofbauer.

Para além das marcas internacionais, há um trabalho de proximidade com quem desenvolve a cultura eletrônica na própria região. Projetos como Botanic, Bioma, Crema, Laguna, Seas, Moon Influences e SHËLTEr já tiveram espaço no complexo, o que mostra o reconhecimento da importância dos núcleos independentes na formação de público e na renovação dos artistas. 

Em agosto de 2024, por exemplo, o Surreal promoveu o Church Collective, reunindo Ocsid, Garage, Brume e Sintoniza, quatro coletivos catarinenses, para uma noite dedicada às suas respectivas pesquisas musicais. Em junho deste ano, o club recebeu a comemoração de dez anos da Seas, enquanto a curitibana Laguna comandou a Church. 

Outro exemplo é a relação com a Botanic, que encontrou no Surreal um parceiro desde suas primeiras edições, em 2022. Ao longo dos anos, o projeto apresentou ao público nomes como Cristi Cons, Traumer, Shonky e Mathew Jonson, até chegar à celebração de seu quarto aniversário, em julho de 2026, com a apresentação do trio francês Apollonia.

Graças a estrutura do Surreal com seus diferentes palcos, é possível tanto a realização de grandes festivais quanto festas mais intimistas, que focam mais a atenção na parte de pesquisa e da experiência musical. Para as labels, é uma oportunidade de conversar com mais pessoas e criar novos fãs, enquanto o club mantém uma programação diversa alimentada também por quem está trabalhando na construção da cena fora dos grandes circuitos comerciais.

Beltools é a próxima a ocupar o Surreal

Dia 1º de novembro, o Bells recebe a estreia da Beltools, label criada por Beltran em 2024. O projeto representa uma nova frente criativa do produtor gaúcho, que conquistou projeção internacional com “Smack Yo’” e hoje ocupa as pistas mais importantes do mundo.

A Beltools vem desenvolvendo um catálogo que percorre o house, tech house, minimal/deep tech e electro, com a série Tools 4 Hardworkers como frente principal, explorando músicas mais estranhas, mas que conversam exatamente com a identidade de seu headlabel. 

Além do próprio Beltran, o lineup terá ainda o britânico Ben Sterling e os brasileiros Analu, gggguerra e Simas. A noite acontece no domingo, véspera do feriado de Finados, com abertura às 23h.

Ingressos antecipados pela Blueticket.

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