Nos últimos anos, a música eletrônica brasileira passou a exportar uma nova geração de artistas mulheres que vêm construindo suas carreiras de forma cada vez mais autoral, estratégica e conectada ao circuito global. Mais do que presença de palco, muitas dessas artistas têm desenvolvido identidades sonoras sólidas, lançamentos consistentes e projetos que ultrapassam tendências momentâneas.
Entre o Melodic Techno, House, Indie Dance, Psytechno e vertentes mais progressivas, alguns nomes vêm representando muito bem diferentes recortes de uma cena feminina em expansão — mais diversa, consciente e artisticamente madura. A seguir, destacamos algumas produtoras brasileiras que merecem atenção especial neste momento.
Com foco no Melodic House & Techno, mas também absorvendo influências do Indie Dance e Progressive House, Raissa Rafaelli vem construindo uma identidade consciente desde o início da carreira. Após deixar uma trajetória consolidada como nutricionista e professora acadêmica, mergulhou integralmente na música e passou a desenvolver um som com atmosferas densas, grooves hipnóticos e vocais sensuais.
Recentemente, ela se apresentou em duas edições do Warung Tour, e também foi a responsável por fazer o warm up na festa da Korolova In Rio, consolidando seu momento de maior ascensão até aqui. Já no campo da produção musical, seu lançamento mais recente foi “Blow a Kiss”, que aposta em uma construção mais voltada à pista, é elegante, mas também carrega potência.
Representando uma nova geração da House Music brasileira, Laura Solar vem chamando atenção pela combinação entre grooves clássicos, referências retrô dos anos 90 e uma abordagem contemporânea de pista, resultando em um som dançante, luminoso e cheio de personalidade. Em 2025, lançou “Blessing” pela Elevation Music Records, reforçando uma identidade focada em groove e fluidez. Recentemente, também foi convocada para tocar na Europa a convite de Prunk, em eventos da PIV.
Influenciada pela black music, hip hop e cultura de rua, Paola vem desenvolvendo um trabalho que une personalidade forte e energia de pista em igual medida. Seus sets carregam referências urbanas muito claras, transitando entre grooves marcantes e uma performance carregada de atitude. Na última sexta (22), fez seu novo lançamento, “Chama”, em collab com Atlan, um Tech House enérgico de 130 BPM que reforça sua identidade mais agressiva e descompromissada.
AMETHYSTA é o projeto da brasiliense Caroline Valença, que se tornou um dos nomes mais interessantes da cena Psytechno brasileira ao combinar techno, psytrance, acid e hard techno em uma linguagem intensa e cinematográfica. Sua sonoridade explora a dualidade entre o visceral e o espiritual, aproximando a cultura rave da estética clubber contemporânea. Neste ano de 2026, já fez mais de quatro lançamentos, sendo o mais recente o single Muladhara, em collab com NIIDO, pela Divinity Records.
Transitando entre Indie Dance, Progressive House e Melodic Techno, Adria vem construindo uma ascensão consistente dentro do circuito latino-americano. Conhecida pela ótima curadoria e por sets tecnicamente precisos, a artista já passou por clubs e festivais importantes como Universo Paralello, Green Valley, Surreal Park e D-Edge. Seu trabalho como produtora acompanha essa mesma direção estética, apostando em atmosferas melódicas, grooves progressivos e uma pegada mais indie, como em seu recente single I Said Dance, em collab com Kaala Shaw.
Com mais de 14 anos de trajetória, Elisa Amaral vem expandindo sua atuação como DJ, produtora e curadora artística dentro da cena eletrônica brasileira. Baseada no Rio de Janeiro, a artista já passou por palcos como Tomorrowland, Rock in Rio e D-Edge, além de realizar uma recente turnê europeia por países como Alemanha, Holanda e Portugal. Paralelamente ao trabalho de pista, Elisa também se destaca pelo envolvimento em iniciativas ligadas ao fortalecimento feminino na música eletrônica. Em 2025, ganhou projeção internacional ao alcançar o Top 5 global do concurso do Tomorrowland Winter, sendo a única representante latino-americana entre os finalistas. No início do ano lançou “Fashion Killer”, refletindo parte dessa identidade para a produção musical.
Misturando Tech House, House e Minimal Deep, Bruna Strait vem desenvolvendo uma carreira sólida. Com mais de uma década de trajetória, a artista já acumula apresentações em eventos como Rock in Rio, Green Valley e turnês pela Europa, além de ultrapassar a marca de um milhão de streams no Spotify. Entre seus momentos recentes de maior destaque estão a apresentação na última edição do Lollapalooza Brasil e a vitória em um concurso global de remix promovido por Madonna, consolidando uma fase de expansão internacional que deve ganhar ainda mais força. Na parte da produção musical, seu trabalho mais recente é “Something Beautiful”, em collab com Bárbara Grando, pela Secret Bangers.
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