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Warung Beach Club & Hernan Cattaneo | Um Último Review

O tempo é o templo | Parte 2

Por [Jon Facchi/Redação] [Tati Blanco/Revisão][Maira Dill e Ebraim Martini/Foto]

Demorei muitos dias para conseguir escrever esse review de despedida do Warung Beach Club. Afinal, para mim, não se trata de uma relação jornalística de análise do que acontece no club, nunca foi. Sempre tratei meus reviews sobre os eventos no Templo como um grande privilégio e também uma forma de devolver um pouco tudo aquilo que aprendi ao longo de 16 anos o frequentando. Sempre procurei explicar aos novos frequentadores percepções que eu tive quando iniciei nessa jornada. Eu aprendi muito lendo outras pessoas e escrever é uma forma de passar adiante os ensinamentos. Como sempre diz Hernan citando o Mestre Yoda: “ensina o que aprendeste.’’ 

Na época do Orkut existiam as comunidades (grupos), como por exemplo a 128 bpm, um coletivo de DJs e aficionados da cena local que eram muito críticos, postavam análises e comentários sinceros sobre o set dos DJs e a noite em si. Eu lia todos e morria de medo de deixar um comentário “sem noção’’, porque poderia ser “esculachado’’ por falar uma besteira. Foi uma grande escola que me deu outro olhar sobre o que um DJ deve ou não fazer para ser respeitado no Templo. Anos depois, em 2015, comecei a escrever e fazer entrevistas com grandes nomes da cena mundial, e tudo pareceu mais fácil, devido a confiança adquirida nesses “grupos de análise’’. 

Este é o último review sobre uma noite no meu local da vida e espero estar à altura daquilo tudo que vivemos no The Last Dance com Hernan Cattaneo.

A noite de sexta-feira foi incrível sob o comando de Dixon, algumas horas de sono e muita ansiedade pelo último sábado do Warung, um dia que todos sabiam que iria chegar, mas que ninguém estava realmente preparado para viver.  Fui para o templo por volta das 19h, precisava ajudar a preparar o local onde iríamos lançar a segunda edição do livro de Hernan Cattaneo, intitulado 

“O Sonho de um DJ’’, pela editora Pod, tal qual fizemos em 2022 na primeira versão.

Cinco anos se passaram e Hernan resolveu atualizar seu livro com dois novos capítulos, um deles com destaque a crescente cena Progressive House brasileira. Novamente abracei a missão de traduzir e enviar à editora a tempo de ter as unidades prontas para o grande dia.

Hernan chegou às 20h30 sob olhares de fãs com seus livros nas mãos aguardando pelo autógrafo. Fizemos a sessão em 15 minutos e quando percebi ele já estava indo para o camarim. 

É sempre muito gratificante participar e realizar algo ao lado do seu ídolo. Sempre irei agradecê-lo pela confiança depositada em mim e no Gustavo Caon Loef, um grande amigo que Hernan me deu e que juntos pudemos lançar seu livro do Brasil. Quem tiver interesse, está disponível na Amazon. 

Ao chegar na cabine, enquanto preparava seus 4 pen-drives para tocar, Hernan disparou uma frase que serviu como o primeiro ponto alto de uma noite histórica: “Vamos despedir esse clube como ele merece’’. Brasileiros e argentinos lado a lado no front entraram em euforia antes mesmo da primeira música. 

Eu fiquei na pista, estava escura e com som mais baixo, o suficiente para dançar e encontrar os amigos, bater aquele papo e ir se acomodando. Era como se preparar para o grande show com o próprio headliner servindo as entradas. Destaque para algumas tracks bem deep house e organic para essas primeiras horas: 

Mattew Dekay – The four Agreements (Martin Roth Beats edit) 

 Cipriani & Hans Gerd – 3. Ramsay – Call my name (Cetrini Remix) 

 Gorje Hewek & Izhevski – Calinerie 

 Tobi Amuchastegui – Ethereal Extasis (Original Mix) 

The Verve – Bittersweet symphony 8. Armonia e Makebo – Back to the roots (Analog Jungs)

 Solomun – Never Sleep Again (Keinemusik Remix

Way out west – Tuesday Maybe (Pablo Appe edit)

Enquanto circulava entre a pista e o backstage, o que mais me perguntavam era: “até que horas vai? É verdade que vai até meio dia?’’. Eu respondia “acho que Hernan toca até as 10h.’’ errei por 30 minutos. Antes mesmo da festa acontecer, todos estavam mentalizando um verdadeiro set de maratona clubber, e isso me deixava alegre. Esse é o verdadeiro espírito de ir ao Templo, onde o tempo fica do lado de fora. Sim, era o último Warung e ele precisava ser épico. Todos estavam felizes, realmente não havia um clima de despedida, e sim uma energia boa de poder ouvir Hernán ali mais uma vez. A ficha só iria cair nas horas finais, chegaremos lá. 

Com o passar do tempo o som foi subindo à medida que a pista encheu, meia noite estava full house. 

Hernán foi construindo o set daquele jeito que todos conhecem e sempre se surpreendem ao mesmo tempo. Partes obscuras, partes emocionais, momentos mais lisérgicos, vocais lindos como na linda faixa “Soul On Fire’’ de Sarah Chilanti em collab com Hot Tuneik. Era como se presenciaremos uma visita a cada “micro mundo sonoro’’ dentro de um espectro mais amplo que Hernan aborda. É algo difícil de explicar, mas quem o conhece sabe. Em um momento ele está tocando o som denso do Luciano Scheffer (The Speech), momentos depois está tocando ‘’The Bar Tender’’ do Seth Schwartz & Be Svendsen (Dark Soul edit), que é uma linha mais leve e emocional. São sessões de 20, 30 minutos, onde essas galáxias sonoras colidem e se entrelaçam dentro de seu universo. 

O que falar da surpresa em ouvir ‘’Music is the Answer’’ Joe Goddard – (Hot Since 82 Remix) logo após a meia noite. Uma track que o Sasha mandou de manhã em 2025 e foi uns dos grandes momentos daquela despedida e que agora pudemos ouvir novamente em outro contexto. 

No dia anterior estávamos em um churrasco no apartamento do Bruno Loureiro, Hernan comentou sobre a pressão que é tocar por horas na cabine do Warung. Diferente de outros clubes que ele faz sets longos, onde há espaço para relaxar um pouco e se “desconectar da pista’’, no Templo não há essa margem. A pista fica o tempo todo vidrada no DJ por todos os lados, literalmente. Então, o nível de concentração é altíssimo, qualquer deslize pode fazer o set desencaixar. Mas, claro, não estamos falando de qualquer DJ, e sim de um dos maiores da história. Enquanto muitos se intimidam, ele cresce e abraça o desafio com uma autoridade visceral. O público do Hernan sempre veio de todos os lados, de fora do país, só para presenciar o que ele faz ali. Todas as vezes ao final, os comentários são; “é tudo isso e muito mais’’. 

Falando em pessoas, abro espaço para falar de um acontecimento especial, que só a pista do Warung seria capaz de proporcionar. Essa pista que já me rendeu tantos amigos, tantas histórias, no último dia ao som de El Maestro não poderia ser diferente. Em um momento que eu estava saindo da pista para voltar para o backstage, um garoto me para e se apresenta. Ele conta com entusiasmo da felicidade em estar ali, vendo seu ídolo, e que me seguia no Instagram, gostava do meu trabalho e que tinha vindo de Rondônia pela primeira (e última). Davi fez algo que eu me identifiquei, pois quando também tinha 20 anos vi Hernan pela primeira vez. Ele vendeu sua bicicleta de treino para conseguir vir e isso acabou rendendo uma das melhores histórias sobre o poder da música e das pessoas. O vídeo abaixo explica tudo. Obrigado por contar sua história Davi. 

Continuando na noite, eu já falei algumas vezes, mas é sempre importante relembrar o quanto o tempo passa diferente quando DJs desse nível estão comandando. Mesmo sendo uma noite longa, as horas parecem que se aceleram e quando notamos já são 3 da manhã. Com DJs ‘“normais’’, você acompanha música por música, com Hernan você apenas percebe blocos sonoros e “acorda’’ com algum vocal marcante ou break mais explosivo. Como isso é possível? Depois de todos esses anos, eu posso afirmar que é algo puramente técnico e de seleção musical. Como assim? São mixagens longas, porém com viradas de grave rápidas, onde os mini-breaks de entrada e saída das músicas são basicamente anulados. O resultado é que a pista está sempre sendo impulsionada adiante, não notando quando as músicas acabam ou iniciam, simplesmente não há essa ‘’espera pela parte boa’’. As mixagens são antecipadas para frases (grupo de 32 batidas) bem mais preenchidas, o que é mais difícil de ‘’encaixar’’ com a música que está entrando. 

@Ebraim Martini 2025

Marco Bailey & Tom Hades – Stars & Shines (Cruz Vittor y Kevin Di Serna edit)

Ouvir Star & Shines estava em minha lista de desejos, um clássico da Bedrock com sua melodia simples e ao mesmo tempo tão marcante. Feito! Abaixo a play/vídeo list com tudo que gravei na noite. 

Como é possível que Hernan faça isso por tantas horas? e mais, utilizando em grande parte músicas novas! Ou seja, músicas que ele ouviu 1 ou 2 vezes antes de pôr no pen drive. Bem, por isso ele é um dos mestres da cena global com fãs devotos e nós estávamos na pista. 

Quando chegou na famosa “hora mais escura da noite’’, que é das 4 as 06h, quando realmente parece que o clima fica mais pesado, a festa precisa ter acontecido em termos de; dança, aplausos, entrega e conexão. Quando tudo isso já foi feito, é aí que as cartas mais pesadas são apresentadas, a famosa sexta marcha que muitos jogadores de tênis possuem quando decidem vencer jogos difíceis. A parte que eu mais gosto, é claro. 

Sempre foi um clássico dele no Templo, músicas mais retas, elementos estranhos, batidas densas se alternando com baixos demolidores. Neste momento não importa mais que linha de som é, todos estão imersos em uma bolha gravitacional que devora a pista. Menos mãos para cima, mais olhos fechados. 

Destaque para a track ‘’Dance With Me’’ do André Moret, que simboliza bem essas horas antes do amanhecer. Alias tocou 9 músicas do Brasileiro, um recorde, e só prova a grande fase que a cena nacional está vivendo nesse estilo. Também teve track do Tonaco, Luciano como já mencionei, Gorkz, Anonimat, Cipriani, Hans Gerd, Alec Araújo, todos brasileiros ocupando boa parte do set e com destaque. Além claro de sempre muitos argentinos recebendo suporte do seu expoente máximo. Música essencialmente sul-americana para a despedida do maior clube das américas. 

Ainda estava escuro na pista, porém lá fora se via um branco, sinal do tempo se esvanecendo. O que tocar nessa hora? ‘’Our Future’’ é talvez minha track favorita do Laurent Garnier e por incrível que pareça ele não a tocou em abril (havia tocado em 2018). Parece que ele deixou essa ponta solta (se é que houve algo solto naquele set antológico), mas digamos que ele deixou essa bola kickando.. Hernan a tocou deixando todos em transe mental. 

Que tal levantar a famosa bandeira com o rosto dele? Mais perfeito impossível. Não foi combinado, foi sentido na hora que era o momento e todos só contemplaram a história sendo escrita. 

Outras 2 faixas que não foram tocadas em seus respectivos The Last Dance foram: Timing do Guy Gerber, música que é um dos hinos do Warung, e o remix de Tides do XX do Dixon. Mais duas que caíram perfeitamente no encerramento. 

@Ebraim Martini 2025

Por ser inverno, a noite parecia não ter mais fim, foi longa e intensa. As 06h30 Hernan joga ‘’Underwater’’ de Bog, 1926 & Diana Miro. Track que virou um hit global com o seu remix com Vasami, mas que Hernán escolheu tocar a versão original em breakbeat. Quando ninguém esperava, ele faz isso e todos pareciam atônitos diante de tamanha beleza com seu vocal hipnotizante. Quem é DJ sabe o quanto é difícil por um break assim no meio de um set potente. Foi como um divisor de águas, um sinal, pois em seguida veio ‘’Never Alone’’ e a pista explodiu de emoção. 

A partir daí todos pensamos que iria ser uma sessão mais ‘’leve’’, doce engano, Hernan dobrou a pista e voltou a acelerar a pista para seu pico de energia máximo em meio ao fundo laranja tão esperado. Como não havia hora para acabar, ele tinha essa margem para dar um último gás e mostrar como se trabalha a dosagem de energia do público

Ezequiel Arias – Psychodelia 

The Chemical Brothers – Out of Control (Emi Galvan Remix) 

Der dritte Raum – Hale Bopp (Maceo Plex Edit) 

Tracks novas se misturando com clássicos sob novas edições. Um mix de sentimentos que culminou no momento que eu destaco com muito carinho às 08h. 

@Ebraim Martini 2025

‘’Hoyland’’ faz parte da minha adolescência, quando tudo ainda era um tanto abstrato, quando eu não sabia muito bem os estilos, mas sentia música através de melodias marcantes que tinham a cara do nosso litoral. Mais tarde descobri que esse som mágico se chamava Progressive House. Se hoje eu levanto com tanto entusiasmo a bandeira desse estilo, essa música tem parte nisso. Ela respira amanhecer, respira praia, amigos, dança, emoção. 

Eu sempre imaginei ouvi-la no Warung, sabia que o Ricky Ryan havia tocado na época do lançamento em 2007, afinal ele era residente do clube e sempre fechava o main room. Semanas antes, eu estava ouvindo no carro voltando do trabalho e pensei “O Warung vai acabar, a última chance que tenho é com Hernan, só ele poderia toca-la’’. Na semana da festa criei coragem e mandei mensagem pedindo. Algo que sei que não se deve fazer, mas que diante do momento histórico, a paixão falou mais alto. Hernan me responde que estaria no pen drive, mas que haviam muitas músicas para serem tocadas também. Naquela altura da manhã, eu nem lembrava mais, o set estava tão avassalador que não me passou pela cabeça que ele ainda iria tocá-la. Catta vira e caminha até mim: ‘’Its for you’’

Gelei, minhas pernas tremeram, a próxima mixagem surge com sua melodia única. Palmas ascendem e alguns amigos no front não se acreditam. Ouvir Holyland foi exatamente como sempre sonhei, algo transcendental e que ao mesmo tempo faz a pista pular na virada do break. Se tivesse que me aposentar da vida clubber, poderia ser ali mesmo. 

É cruel ter que escolher músicas importantes para comentar, porque simplesmente a sequência foi absurda, não havia como sair para ir ao banheiro. A cada nova virada, era um ano importante do Warung sendo lembrado. Essa sequência da hora final é uma obra prima, uma coleção irreparável que justifica a escolha de Hernan para selar os últimos momentos do clube. Quando vejo a Fefê e o Conti abraçados chorando com The Last Day, a ficha realmente começou a cair. Pra onde eu olhava via funcionários e pessoas que fazem parte da construção deste lugar deixando as lágrimas descerem sem pressa e sem medo de viver uma despedida

Moby feat Skylar Grey -The last Day (Analogs Jungs Unofficial Remix)

Radiohead – Eire Fishes / Arpeggi (Id edit) 

Guy J – Dizzy Moments 66. Guy Gerber – Timing 

Chromatics – Shadow (Maceo Plex Remix) – O vocal ‘’For the last time’’ mais uma vez nos dava a mensagem do que estava acontecendo. 

UNKLE – In a State (Sasha Remix) – faixa quem arcou o set  de 2012

Donna Summer – 1 feel love (Danny Howells Remix) 

Donna Summer – Dusk Till Dawn (Danny Howells Club Mix) 

Kolsch – All that matters (Anonimat & Nicolas Viana Unofficial Remix) 

Gill Nores – Forme (Guy J remix) – mais uma do set de 2011

Underworld – Dark & Long (Cristian Smith Tronic Treatment Remix) 

Dark & Long foi para o Conti, voltando à memória daquela manhã inesquecível de 2011, com um ritmo alucinante de synths que fazem a pista se levantar. Que faixa perfeita para encerrar o set, eram 10h15 da manhã, o clube ainda lotado e todos clamando por mais. Hernan estava tocando a mais de 13 horas e ainda que não demonstrasse cansaço físico, o mental com certeza estava esgotado, além de satisfeito com a entrega a altura, como ele mesmo havia prometido no começo. 

Hernan chama Gustavo Conti para o palco e o abraça forte, pede os aplausos merecidos por tanta dedicação a nossa cena nesses quase 24 anos. Logo depois outros sócios e pessoas que trabalham na casa a muitos anos se juntam também; Jeje, Zagonel, kisy, Bruno, Picolé, Sérgio, Robinho, Fafo, Maira, Eduardo. Sem pessoas apaixonadas não haveria o Templo

É claro que ele tinha deixado mais uma faixa engatilhada para o Bis. Quando Hernan dá o play em ‘’Time’’ do Pachanga Boys, parece que o ciclo se fechou sozinho. Como bem disse a Nana Benites no vídeo pós evento sobre como essa música simboliza a essência dele, por ter uma progressão longa, exatamente como um set e sua carreira em si, ao mesmo tempo é uma faixa que é a cara do clube, do dia claro após uma noite intensa.

Novamente a emoção tomou conta, muitas pessoas sonhavam em ouvi-la ali. (Hernan tocou em 2012 e o vídeo ficou bem conhecido entre os fãs posteriores dele); estava entregue, sonhos são feitos para se realizar. A fefe havia postado várias fotos dela com amigas ao longo dos anos no clube justamente com essa música e quando sua melodia tomou toda a pista foi a confirmação de que tudo estava no seu devido lugar. 

Quem poderia imaginar, uma relação que iniciou logo nos primeiros meses de existência do Warung, iria se estender por mais de 20 anos até seu encerramento. Pode parecer estranho o que eu vou falar, mas desde que comecei a ir no Warung, sempre tive dentro de mim que o encerramento seria com Hernán Cattaneo.  O set que presenciamos neste Closing fala por si, uma energia sonora que foi ganhando tamanho dentro da pista até se tornar inevitável a emoção. Vale lembrar que no Garden tocaram Danee, representando a geração de DJs locais que se formou por influência do Warung, muito merecido, além de Ezequiel Arias que não deixou por menos na linha que som que define o futuro do Progressive House. Porém, quem encerrou a pista foram os residentes lendários Albuquerque e Fran Bortolossi, um do Paraná, outro do Rio Grande do Sul, dois estados que foram fundamentais na história e formação de público da casa

@Ebraim Martini 2025

Um pouco antes da música parar, surge o ser humano para além do mestre, Catta simplesmente solicita ao Conti que a música não deveria encerrar ali. Mandi é chamado às pressas para talvez protagonizar seu momento mais importante como DJ na casa. Vocês não vão tocar?’’ Pergunta Hernan. ‘’A casa é de vocês, vocês que a construíram, aproveitem esse público e esse dia lindo’’. Juntos, Conti & Mandi assumem o comando da pista colocando ‘’Muranyi’’ do Pryda. Faixa muito simbólica que virou lenda naquele vídeo do Sasha de manhã em 2008

@Ebraim Martini 2025

Hernan poderia dizer que a festa acabava ali com ele e estaria tudo bem. Mas seu espírito é tão nobre e justo que ele pensou no público para além de tudo que já havia entregado.  Muitas pessoas sonhavam fazer um ‘’after’’ dentro do próprio Warung e no último dia receberam esse presente. Não preciso dizer a quantidade de clássicos relacionados a todas as fases do Templo que os dois tinham preparado para tocar. Daria mais um review só desse momento.  Depois Albuquerque também se juntou e eles puderam realizar o sonho de tocar de manhã no próprio clube. Mais que merecido, com a pista ainda cheia, a música rolou até final da tarde para quem pudesse resistir. Alguns amigos ficaram até o final do final com direito a um churrasco com os funcionários. Eu devo ter saído após o meio dia, estava satisfeito e feliz. 

@Ebraim Martini 2025

Sempre ouvia falar de encerramentos lendários de clubes importantes da cena global, como o Yellow Tóquio em 2008, onde coincidentemente também foram convidados para fechar Hernan e Laurent Garnier. O Watergate Berlin recentemente, a Space Ibiza em 2016 com Carl Cox. Como seria participar de algo assim? 

A verdade é que não é comum clubes poderem se despedir de forma apropriada, geralmente eles simplesmente desaparecem, não anunciam mais nada e tempos depois as pessoas se dão conta da falta que fazem. O Warung, que arrisco dizer está no top 3 clubes de todos os tempos, teve um fechamento a altura de sua história. Que sorte, que privilégio eu tive de morar perto e frequentar por tantos anos um lugar tão adorado por DJs e pessoas.

Os últimos anos não foram fáceis; uma pandemia, seguida de uma disputa judicial com o prédio vizinho em 2022, seguido da tragédia em 2023. A reconstrução, a desconfiança do público pela ‘’alma’’ do clube, o acerto no sistema de som, as grandes melhorias de mobilidade e serviço com o novo projeto, o anúncio do período ‘’The Last Dance’’ com um ano e meio de antecedência. Tudo foi tomando contornos dramáticos e de uma reviravolta que realmente merece ser contada nos livros. Todos tiveram tempo para se programar, mesmo que de longe, vir e se despedir pegando noites emblemáticas que fizeram todos se renderem mais uma vez à mágica que circunda aquele local. 

Não sei se há algo místico ao redor da praia brava ou naquele pedaço de terra, parece que existem lugares no mundo que possuem vida própria e sempre serão percebidos como tal. Os frequentadores mudaram ao longo de 2 décadas (alguns nem tanto, haha), mas o sentimento de subir as escadas e pisar na pista de madeira com o triângulo ao fundo sempre foi o mesmo: aqui a vida vale a pena.

Warung Beach Club THE LAST DANCE 06.06.26 (Aproximadamente 60% do set)

– Gorje Hewek & Izhevski – Calinerie

– Mattew Dekay – The four Agreements (Martin Roth Beats edit)

– Luciano Scheffer – The Speech (Original Mix)

– Tobi Amuchastegui – Ethereal Extasis (Original Mix)

– The Verve – Bittersweet symphony (back to the roots Armonía & Makebo)

– Solomun – Never Sleep Again (Keinemusik Remix)

– Nora en Pure – Spring Embers (Extended mix)

– Be Svendsen, Seth Tender – The Bar Tender

– Radio Salve – Strobe Queen

– Done Wejzman – Misery

– Caribou – Your love will set you free ( Berni Turletti & Cruz Vittor remix)

– Guy Mantzur & Khen ft. Kamila “Moments Becoming Endless Time”

– Natascha Polke – Into You ( Diego Acosta remix )

– Hot Tunic, Sarah Chilanti – Soul on Fire

– Luke Brancaccio & Gai Barone – All I Need (feat. Kiki Cave) [Hernan Cattaneo & Mercurio Dub]

– Larrosa, Nico Sparvieri, SACK ft Flor Pavone – ID

– Edone, Weizman – Misery

– Ruben Karapetyan State of Progression – Ruben Karapetyan (Dilby Remix)

– Soul Drive – Dilby, Danny Howells

– Sax Talk – Kebin Van Reeken (Dilby Remix)

– Gorkiz & Fernando Olaya – Sirius

– Dilbi, Danny Howells – Soul Drive

– Ruben Karapetuan, Dilby – State Progression (Dilby Remix)

– Tonaco, Siman Tagias – Alnilam

– Way out west – Tuesday Maybe (Pablo Appe edit)

– Mike Cruz – Lotta Love

– Juan Ibañez – Kindom of dreams remix

– Tobi Amuchastegui – Distance ( Original Mix )

– Quivver – Keep on Running

– Gorkiz & Tavarezgui – Black Sun

– Kostya Outta & Paul James Nolan – Seguro (Paul James Nolan Remix)

– CHVRCHES – Clearest Blue ( Felipe Gurascier Remix)

– Ed Steele, Anna Speedy, D’nox & Andre Andre Moret – Don’t Leave Me (D-Nox & André Moret Remix)

– Andre Moret – Kryon

– The XX – Tides (Dixon Remix)

– ID – ID – (Mind echoes Remix)

– Agent GEX – Slipstream

– Hans Zimmer – Time (Pen Perry Remix)

– Joe Goddard – Music is the answer (Hot Since 82 Remix)

– David August – Epikur

– Ossie – Holyland (Ricky Ryan remix

– Trancefeld – Echoes Within Silence

– Marco Bailey & Tom Hades – Stars & Shines (Cruz Vittor y Kevin Di Serna edit)

– K Loveski & Federico Monachesi – Check-a-Change (Federico Monachesi Remix)

– Depeche Mode – Going Backwards (Alec Araujo Unofficial Remix)

– Oliver Weiter & Forniva – Room821

– Ezequiel Arias – Psychodelia

– The Chemical Brothers – Out of Control (Emi Galvan Remix)

– Phonique – ” For the time being” ft. Erlend Øye (Simon Vuarambon Edit)

– Jack Porgo – Movin´thru your system (Hernan Cattaneo & Brigado Crew remix)

– Sebastian Leger – Ashes in the Wind

– Bog, 1926 & Diana Miro – Underwater (HERNAN CATTANEO & Marcelo Vasami remix)

– WhoMadeWho – Never Alone (Patrice Baumel Remix)

– The MFA – The Difference It Makes (Superpitcher Mix)

– Weval – Are You Real

– Gill Norris – Fome (Guy J Remix)

– Laurent Garnier – Our Futur

– Depeche Mode – I feel love (Danny Tenaglia’s Labor Of Love edit)

– Moby feat Skylar Grey – The last Day (Analogs Jungs Unofficial Remix?)

– Radiohead – Weird Fishes / Arpeggi (Id edit)

– Guy J – Dizzy Moments

– Guy Gerber – Timing

– Chromatics – Shadow (Maceo Plex Remix)

– UNKLE – In a State (Sasha Remix)

– Donna Summer – I feel love (Danny Howells Remix )

– Donna Summer – Dusk Till Dawn (Danny Howells Club Mix)

– Kolsch – All that matters (Anonimat & Nicolas Viana Unofficial Remix)

– Underworld – Dark & Long (Cristian Smith Tronic Treatment Remix)

– Pachanga Boys – Time

It’s all about groove