Skip to content

Enrico Cherbino fala sobre a construção da Melodic Therapy e o novo VA, Inner Resonance

Criar uma gravadora nos dias de hoje pode até ser mais fácil do que há décadas atrás, mas ainda assim exige muito mais do que apenas selecionar boas músicas. É necessário um trabalho constante de escuta, relacionamento com artistas, e diversos outros detalhes na organização de cada lançamento. É dentro desse processo que a Melodic Therapy vem construindo seu espaço, reunindo produtores de diferentes países e conectando Progressive House, Organic House, Indie Dance, Breaks e outras vertentes ligadas ao universo melódico.

Ao longo de seus primeiros lançamentos, o selo apresentou trabalhos de artistas como Tamir Regev, Greg Ochman, Dimitri Nakov, Curol e Kamilo Sanclemente, alcançando boas posições nos charts do Beatport e ampliando gradualmente sua presença dentro e fora do Brasil. Agora, a gravadora chega ao seu décimo segundo release com Inner Resonance II, segunda edição de sua compilação anual. O projeto reúne 12 faixas inéditas de artistas de diferentes países e amplia a presença do Indie Dance e do Melodic dentro do catálogo, sem abandonar as bases já estabelecidas no Progressive e no Organic House.

Aproveitamos a novidade para conversar com Enrico Cherbino, co-fundador da Melodic Therapy, sobre o que o levou a criar a gravadora, os desafios de manter um selo independente em atividade e as escolhas envolvidas na curadoria de um VA. Ele também fala sobre a consolidação do projeto, o crescimento do selo e os caminhos que pretende explorar nos próximos lançamentos.

Enrico, obrigado por falar com a gente. Nos diga: quando você decidiu criar a Melodic Therapy, o que estava faltando no mercado na sua visão? O que você queria construir de diferente com a gravadora?

Oi pessoal, tudo bem? Muito obrigado pelo convite, é um prazer falar com vocês! Criar essa label já era um desejo antigo e uma progressão natural após anos de sucesso do nosso mix series no Soundcloud, mas a principal motivação foi justamente essa vontade de unir diferentes espectros da música melódica. 

Nós olhávamos para o mercado e víamos muitas marcas seguindo fórmulas e apostando em vertentes ultra nichadas mas isso nunca conversou conosco por sermos pessoas ecléticas tanto dentro quanto fora da música eletrônica. Então a partir disso resolvemos arregaçar as mangas e colocar nossa própria label no mundo com essa diversidade que a gente tanto buscava.

A gente sabe que gerenciar uma label exige muito tempo, investimento e energia, e o retorno muitas vezes demora a aparecer, especialmente no aspecto financeiro. O que faz esse trabalho continuar valendo a pena para você?

Eu acho que o resultado financeiro é uma consequência, temos muitas variáveis incontroláveis principalmente nesse momento tão instável do nosso mercado. Prefiro focar no que está no nosso controle, fazer nosso trabalho da melhor forma possível, aproveitar o processo e o resto é consequência.

Acho que o segredo está em conseguir enxergar mais valor na jornada do que na linha de chegada e nisso eu tenho o privilégio de ter um grande amigo além de sócio me acompanhando nessa jornada no dia-a-dia que é o Kaio Batista. 

Tentamos sempre não nos esquecer dos garotos que começaram a se envolver com música eletrônica através do canal CONNECT a onze anos atrás, com certeza eles estariam orgulhosos de onde estamos hoje em dia.

Houve algum momento em que você percebeu que a Melodic Therapy havia deixado de ser apenas um projeto novo e começando a conquistar um espaço próprio dentro da cena?

Acho que a maioria dos projetos é sempre maior do que os seus idealizadores conseguem enxergar e aqui não é diferente, nós nos surpreendemos diariamente com o poder de impacto global da label. Isso também faz parte da magia desse mundo globalizado, nós sempre nos posicionamos como uma marca global que queria conectar e impactar diferentes povos e seguimos atingindo essa missão e reunindo apaixonados por música melódica ao redor de todo o globo. 

Algo que também sempre traz esse peso pra gente é o renome adquirido em meio aos artistas, toda vez que recebemos um elogio de algum nome relevante gera aquela sensação de que estamos no caminho certo.

Hoje vocês já tem uma procura de artistas para lançar na gravadora? Ou ainda é preciso buscar de forma mais ativa nomes que façam sentido entrar para o catálogo?

Sim, hoje o volume de demos que recebemos já é bem maior do que no primeiro ano, assim como também recebemos approach de artistas querendo remixar nossas músicas. Porém, o trabalho de garimpo de artistas nunca para, acho que é essencial o A&R sempre garimpar e atacar artistas que ele se identifica com a visão criativa do selo, afinal, eles são parte itinerante na criação da identidade da label, não à toa temos muitas labels com um artista principal à frente.

Conectando isso ao novo VA… Inner Resonance II reúne artistas de vários países e gêneros. Como foi montar essa seleção? Quais foram os critérios para definir quais músicas entrariam e quais não?

A gente costuma fazer esse tipo de escolha muito pelo nosso feeling, cada um dos sócios escuta as demos algumas vezes e quando uma mesmo demo consegue agradar a todos, seguimos com a assinatura. Nós buscamos lançar músicas que gerem conexão, se não gerar emoção, não faz sentido para o Melodic Therapy.

Um projeto com tantos artistas também exige bastante comunicação e organização. Qual foi a parte mais trabalhosa de colocar Inner Resonance II no ar?

Quanto a isso é bem tranquilo, nossa gravadora hoje em dia é quase que 100% automatizada, usamos diferentes ferramentas organizacionais para otimizar o nosso dia-a-dia e como esse já é o nosso décimo segundo lançamento, a grande maioria dos processos já está formalizado de forma ágil.

Depois de doze lançamentos, o que você sente que já está bem definido na identidade da Melodic Therapy e o que vocês ainda querem trabalhar melhor? 

Acredito que após doze lançamentos a marca já tem uma cara, uma identidade sonora e visual, porém ainda sentimos que estamos mais solidificados dentro do Organic & Progressive do que nos demais gêneros, então hoje o principal objetivo é se estabelecer da mesma forma dentro do Melodic House, Indie Dance e Afro House.

Quais são os próximos passos da gravadora depois de Inner Resonance II? Há novos artistas, formatos ou projetos que vocês já podem antecipar?

Teremos lançamentos bem especiais pela frente de alguns artistas que acreditamos muito que explodirão em 2027, são artistas que mesmo em menor escala já apresentam uma identidade marcante e um potencial de crescimento gigantesco, alguns desses nomes são: Konstantin Kobra (Diynamic, Multinotes), Nael IL (Frau Blau, ICONYC), Yonn (Marginalia, Kinetika) e Tim Parelias (Human By Default, Diynamic).

It’s all about groove