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Falamos com a argentina VICTORIA WHYNOT em meio a uma fase de consolidação internacional

VICTORIA WHYNOT é uma das artistas que vêm ganhando espaço de forma consistente dentro da cena eletrônica nos últimos anos. Nascida em Villa Carlos Paz, na Argentina, sua relação com a música começou cedo, ainda na adolescência, quando passou a se aprofundar no universo da house music e suas raízes. Com influências que passam por nomes fundamentais como Frankie Knuckles, Derrick May e Kevin Saunderson, ela construiu uma base que se reflete até hoje em sua abordagem como DJ e produtora. 

Desde então, sua carreira passou por uma expansão constante, com apresentações em palcos relevantes como Pacha Ibiza, ADE, Creamfields e Lollapalooza, além de dividir cabine com artistas como The Chemical Brothers e Fatboy Slim. Mais recentemente, ela venceu o Future Talent Awards da Pete Tong DJ Academy, que impulsionou sua projeção internacional, e também vem construindo uma importante relação com Carl Cox — que agora se desdobra em novos capítulos. 

Em breve, Victoria irá lançar um novo single pelo selo 23rd Century DGTL,  selo do próprio Cox, em colaboração com Michele Conte. Também dará início ao seu próprio selo e irá estrear no UNVRS, em Ibiza, dentro da residência de domingos de Carl Cox, tornando-se a primeira DJ mulher argentina a se apresentar lá.

Em meio a esse momento de consolidação, conversamos com VICTORIA WHYNOT sobre sua trajetória, identidade artística, visão de cena e os próximos passos de uma carreira que entra agora em uma de suas fases mais decisivas.

Victoria, sempre gostamos de perguntar sobre o início da relação com a música eletrônica. Você lembra quando teve seu primeiro contato ou em que momento pensou: ‘nossa, é isso que eu quero para a minha vida’? 

Acho que não foi um único momento no começo, mas sim uma conexão que foi crescendo até ficar impossível de ignorar. Mas teve um instante que mudou tudo. A primeira vez que fiquei atrás de uma cabine de DJ… eu nunca tinha sentido nada parecido.

Era algo além de empolgação, além de felicidade, mais profundo, avassalador. Lembro de ter pensado naquele exato momento: ‘se eu morresse agora… eu estaria completamente feliz.’ E foi isso. Foi ali que entendi que não era só algo que eu amava — era algo ao qual eu queria dedicar a minha vida.

E olhando para a sua trajetória até aqui, quais foram os pontos de virada que você considera essenciais para entender o momento que vive hoje como artista?

Existem muitos lugares, palcos, nomes, mas as verdadeiras viradas aconteceram por dentro, muitas vezes em silêncio. Sair de casa cedo e começar do zero foi uma delas. Isso tirou qualquer ilusão de estrutura e me forçou a me definir sem referências, sem conforto, sem certezas.

Outra mudança veio quando percebi que as pessoas que eu admirava não eram inalcançáveis. Eram humanas. Essa percepção dissolveu uma distância que eu tinha criado na minha cabeça e, junto com ela, os limites que eu aceitava sem perceber.

Houve momentos que, de fora, podem parecer decisivos, como vencer a competição da Pete Tong DJ Academy entre milhares de participantes do mundo todo, tocar no Pacha Ibiza, ser convidada para falar em plataformas como o International Music Summit, ou ocupar espaços como o UNVRS Ibiza como a primeira DJ mulher argentina nesse contexto.

Mas nenhum desses momentos pareceu um ponto de chegada. Se alguma coisa, eles trouxeram um senso maior de responsabilidade — e novas perguntas. Porque cada passo adiante exige uma redefinição. Pra mim, a jornada nunca foi sobre chegar a algum lugar, mas sobre entender constantemente quem eu estou me tornando dentro dela.

Nos últimos anos, você vem construindo uma relação próxima com Carl Cox, que agora culmina na sua participação na residência do UNVRS, em Ibiza. O que esse momento representa dentro da sua trajetória?

Representa tudo pra mim. Por muito tempo, figuras como o Carl existiam em outra dimensão — simbólicas, quase intocáveis. Não só como artista, mas como um pilar de uma cultura que eu admirava muito à distância. Com o tempo, essa distância desapareceu. 

Então esse momento não é só sobre proximidade — é sobre significado. Representa anos de visão, de persistência, de acreditar em algo antes mesmo de isso ter forma. E, ao mesmo tempo, traz uma nova consciência.

Porque quando algo que parecia inalcançável se torna real, não dá a sensação de fim, parece o começo de um novo nível de responsabilidade. Um compromisso mais profundo com o que você está construindo, e com quem você está se tornando nesse processo.

Além disso, você também se prepara para lançar um novo single pelo selo 23rd Century DGTL. O que pode nos contar sobre esse novo trabalho? Qual direção sonora ele segue? 

Esse lançamento tem um peso emocional muito forte pra mim. A 23rd Century sempre foi um daqueles selos com os quais eu me conectei ao longo dos anos. Eu tocava as músicas deles o tempo todo — tinha algo naquele som que me atraia muito, eu não só gostava, eu entendia.

Por muito tempo, eu estive do lado de fora desse universo, enviando demos, tentando encontrar um caminho de entrada. Durante quase dois anos, nada realmente aconteceu — e é aí que a perseverança entra, eu continuei tentando mesmo sem respostas.

Depois, no IMS Ibiza, conheci o Michele Conte, e de forma muito natural percebemos que tínhamos o mesmo ponto de referência. Nós dois éramos genuinamente conectados àquele som, àquele selo. A colaboração surgiu de um lugar muito sincero. “Turn Around” nasceu dessa primeira sessão, e o que veio depois eu nunca poderia ter planejado — o Carl Cox abriu o Awakenings 2025 com ela, depois de anos sem tocar no festival.

Aquele momento pareceu um alinhamento de muitas coisas que vinham sendo construídas em silêncio ao longo do tempo. Fazer parte da 23rd Century agora não é só uma conquista, mas uma continuação natural de algo que já existia.

Outro passo importante é o lançamento do seu próprio selo. Qual é a proposta do projeto e como ele se conecta com a sua visão artística?

A ideia do meu selo é reduzir a música à sua essência. Criar um espaço onde o som não precise seguir uma estrutura previsível nem se encaixar em uma categoria definida. Me interessa algo que não seja fácil de rotular, mas que ainda assim tenha uma identidade muito forte — algo que você reconhece na hora, mesmo sem saber explicar exatamente por quê.

É sobre liberdade de expressão, mas também sobre intenção. Quero que seja um espaço onde eu possa explorar sem limitações e, ao mesmo tempo, abrir esse espaço para artistas que admiro e com quem me identifico. Um lugar onde diferentes vozes coexistam, mas ainda compartilhem uma coerência de energia.

Algo que você comentou nos bastidores é sobre sua relação com a longevidade na carreira, o foco no bem-estar e na disciplina. Como é isso na prática, na sua rotina? Você já tomou decisões difíceis por conta desse ‘posicionamento’? 

Pra mim, cuidar de mim mesma faz parte de cuidar da minha carreira. Existe uma narrativa forte de que essa indústria está ligada ao caos ou à falta de estrutura, e eu sempre senti a necessidade de questionar isso. Acredito que é possível construir algo significativo sem se perder no processo.

Então tento levar a vida com consciência — cuidando do meu corpo, da minha energia e do meu ambiente. Porque isso é algo que eu quero fazer por muito tempo. E aprendi que consistência, clareza e equilíbrio são o que realmente permitem ir mais longe e sustentar tudo o que você está construindo.

Apesar de você ser da Argentina, ainda não houve a chance de tocar no Brasil, não é? Como estão os planos para vir para cá? 

O Brasil é um lugar pelo qual eu me sinto muito atraída. Ao longo do tempo, recebi muitas mensagens de pessoas daqui perguntando quando eu viria, e existe uma conexão real mesmo sem eu nunca ter tocado aí. A energia, a cultura, a forma como a música é vivida… tudo parece muito alinhado com o que eu faço.

Com certeza é algo que eu quero que aconteça, e estou realmente ansiosa por esse primeiro encontro.

Para fechar: olhando para os próximos meses e para 2026 como um todo, quais são suas principais metas e o que o público pode esperar dessa nova fase do projeto VICTORIA WHYNOT? Obrigado!

Meu foco é desenvolver ao máximo o meu som, ir mais fundo nele e refiná-lo. Ao mesmo tempo, quero continuar em movimento, alcançar novos lugares, novas culturas e tocar em todos os cantos do mundo que eu puder. Produzir música de forma consistente sempre vai estar no centro de tudo. 

O que o público pode esperar é energia, mas também direção. Consistência, mas também evolução.

Algo que seja forte, intencional e vivo, sempre avançando, sem se tornar previsível.

It’s all about groove