Se você investigar as raízes da cultura clubber, seus pioneiros e os arquitetos das estéticas sonoras que dominam as pistas hoje, o nome de Laurent Garnier aparecerá inevitavelmente nas primeiras páginas. Sua trajetória é digna de cinema: aos 18 anos, ele lavava pratos na cozinha do lendário The Haçienda, em Manchester; pouco tempo depois, estava em Detroit bebendo da fonte com os pais do techno, para então retornar ao club onde trabalhava, desta vez como DJ.

Antes mesmo dos 25 anos, Garnier já era o principal responsável por moldar e consolidar a cena eletrônica em seu país natal, a França. Além de DJ, ele se tornou um produtor de clássicos atemporais e fundou a F Communications, gravadora que se tornou um marco na indústria. No entanto, para além de suas realizações como empresário ou produtor, estamos falando daquele que é considerado por muitos como o maior DJ de todos os tempos.

O Ídolo dos seus Ídolos
Embora eleger um “único” nome no topo seja sempre subjetivo, Laurent Garnier é a rara unanimidade que coleta respeito em todos os espectros da dance music. Quando ícones globais como Hernan Cattaneo, Dixon ou DJ Tennis são questionados sobre com quem gostariam de dividir as cabines em um back to back, o nome de Garnier é a resposta imediata.

Quem é o ídolo dos seus ídolos? Quando você puxa a linha da história, seu nome estará sempre lá, ele é o “Santo Graal” da profissão: o modelo de técnica, pesquisa musical e curadoria sonora. A lista de gigantes que o enxergam como o símbolo máximo do “verdadeiro DJ” é extensa, incluindo Carl Cox, The Blessed Madonna, Peggy Gou e Jeff Mills.

Mas o que o torna tão especial? A resposta costuma vir após a primeira experiência na pista sob seu comando. Garnier possui uma capacidade rara de contar histórias através da música, elevando o público a estados de transe e euforia, ele toca com a alma, entregando performances que transcendem rótulos.
Sua sonoridade é inclassificável: transita entre o techno e o progressivo, música com atitude, vocais marcantes e uma energia magnética, Garnier conseguiu o que todo artista almeja: atravessar barreiras tribais. Ele é simultaneamente cultuado pela cena Techno, pelos fãs de Progressive House e pelas turmas do Deep, Indie e House Music, enquanto muitos artistas acabam presos a uma bolha sonora e tornam-se previsíveis, Garnier permanece fluido e relevante através das gerações.
Uma jornada arrebatadora e o ADEUS às Pistas
Assistir a um set de Garnier é embarcar em uma jornada de várias horas que desafia a compreensão. “O que acabou de acontecer?” é a pergunta padrão ao final de suas apresentações. Existem artistas que somam à cena; Laurent Garnier é por si só, o cenário personificado.
Este retorno ao Brasil carrega um peso emocional ainda maior: segundo o próprio artista, este é o seu último ano de turnês, tendo reduzido drasticamente suas apresentações desde a pandemia. Recebê-lo é um privilégio para a cena nacional, viabilizado pelo Warung Beach Club, um dos locais favoritos do DJ no mundo.

A agenda começa na sexta-feira, em São Paulo, cidade fundamental no início de sua carreira. No sábado, ele assume o comando do Templo (Warung), em Itajaí, para o que promete ser uma daquelas noites que definem o futuro de toda uma geração.
Fiquem ligados em nosso Review na próxima semana!
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