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De sol a sol, Warung recebe Deep Dish pela última vez com longset de 8 horas

Fotos: Ebraim Martini Vídeos: Jon Fachi, Go Techno e Ana Track ID

No último dia 17 de janeiro Deep Dish se despediu do Warung Beach Club após 20 anos de apresentações lendárias. Quis o destino que exatamente após duas décadas, o duo Iraniano que forma o projeto (Ali Dubfire e Sharam) recebeu a chance de um The Last Dance no clube de seus corações. 

Em 2006, quando estrearam em pleno carnaval do Templo, ficaram tão impressionados com o que viram e vivenciaram, que pediram para se apresentar mais uma noite. A partir então, foram criando uma relação muito próxima e intensa com o Warung e seu público. 

Mesmo após desfazerem o projeto para se voltar às carreiras solo, ambos continuaram a fazer noites inesquecíveis. Dubfire foi para o techno, se tornando um dos gigantes do estilo. Para além de marcar uma era progressiva no Warung, ele também ajudou a consolidar outra, onde o techno passou a ter muitos seguidores em Santa Catarina, afinal Dub foi presença regular no calendário do clube, incluindo sets de mais de 15 horas, como o de 2011, e um carnaval até 11am em 2013, um dos últimos até esse horário. 

Sharam também permaneceu vindo ao Warung e suas noites se tornaram sinônimo de casa cheia, vibe praiana, gente bonita e muita energia. Em 2016, eles se juntaram novamente como Deep Dish, passando no tour pelo Warung, porém o projeto não obteve o mesmo impacto dos anos 2000 e somente mais recente no pós pandemia, foi que realmente sentiram a necessidade de se dedicar de verdade a marca Deep Dish, lançando novas músicas e fazendo mais e mais shows juntos. 

Não foi fácil encontrar novamente o caminho sonoro do projeto, muito pela dificuldade de Dubfire adaptar-se a uma linha que não tocava mais, porém é a identidade do projeto: me refiro ao progressive house. Acredito que nessa última noite, eles puderam demonstrar um balanço que fez muito sentido. Ali indo por um melodic techno bem sofisticado, meio Sasha & Digweed, e Sharam trazendo mais progressive house clássico com emoção. Entre isso encontraram vários momentos de alinhamento, a ponto de confundir quem era quem, principalmente da metade do set adiante. Voltamos. 

Esta foi uma data anunciada com bastante antecedência e a única de janeiro, algo inédito, considerando que o Warung sempre abriu todos os finais de semana deste mês. Me parece que o staff não quer errar, não quer fazer noites aleatórias e só quem merece muito vai tocar no clube nesta reta final. A data foi puxada para uma day party, com intuito de buscar um público que iria no evento do Vintage Culture na mesma noite. 

Quando cheguei no clube às 19h, a festa já rolava desde às 16h, assisti Thibes & Paulo Antônio, um duo que a muitos anos faz warm-ups de excelência e dessa vez não foi diferente. 

Pura classe de deep house, deep tech e algo progressivo, dando aquele feeling de ‘’noite de Templo’’ no Garden. Subi um pouco para ver Phonique, que apesar de não tocar o que eu gosto, entendia que era preciso prestigiar e respeitar seu the last dance, afinal ele é um dos nomes internacionais que mais se apresentaram na história do clube. A pista já escura estava com ótimo público e todos estavam na expectativa de receber DEEP DISH

Entre 21h e 22h se apresentou LRB, manager da agência Purple Wall, que representa gigantes da indústria conceitual e claro, os headliners da noite. Um nome indicado por Deep Dish para o warm-up e mesmo que ninguém o conhecesse, fez seu trabalho de forma interessante, misturando house, melódico e deixando um ótimo feeling na pista, que reconheceu com aplausos. 

As lendas aparecem com a pista quase lotada, onde muitas pessoas ainda chegariam depois. Dubfire começa com uma intro bem reta e limpa, construindo como deveria ser para um longset de mais de oito horas. O canto do público no vídeo abaixo diz um pouco do clima que estava na pista; 

Muito amistoso, amigos na pista, uma vibe realmente de verão, com risadas e momentos em que a galera vibrava com a música. O mais legal de ver caras com tanta história e décadas de estrada é a certeza de que você vai ouvir algo novo e nada óbvio. Destaco as faixas do início com: 

Starsow Total – Robag Wruhme intro

Franky Wah – Desert Dance

Mita Gami – Doing Da  

DOSAMIS – Maabola

HotLap = Break Out – Extended Version que fez a pista levantar as mãos pela primeira vez) 

ARADA – In Our Minds

O primeiro grande momento da noite acontece com o último lançamento deles, intitulado “Dreaming’’. É notório a capacidade deles de criar hits com vocais femininos marcantes, essa faixa é mais uma para a coleção. 

Em seguida Sharam traz um clássico com “My Friend’’ de Groove Armada (Simo not Simon Extended Remix). O set começa a acelerar após meia noite, sendo tocado com muita paciência e constância. Outros destaques vão para: 

Culoe De Song – Mount Zion (Jonathan Kaspar remix)

Loop Man – Broken

Goom Gum & Dancing On Lego – Before My Eyes (Super Flu Remix)

Guy j – Alive Again

Um momento que vale muito destacar é na faixa ‘’Deep in My Soul’’ do 16BL, um dos grandes clássicos da Anjunadeep, de 2014, que com seu vocal hipnotizante faz qualquer pista se emocionar. Ali não foi diferente.

Omer Zoltek – Phuket

“Takata’’ de Tali Muss & Vakubular, foi certamente uma das músicas que mais gostei na noite! 

Olsvangèr – Galdman’s Propeller

Acima um compilado de vídeos da Ana Track ID da noite! 

Kevin de Vries & Jast -Born like that

Kidy – Rhythm Is A Dancer

Já era por volta das 02h quando surge “Flashdance’’ na versão atualizada de Haft & Peyman. É claro que eles iriam jogar as clássicas que marcaram tantas manhãs no templo, especialmente lá no início, afinal naquela época eram faixas novas e estavam no auge global de reconhecimento. 

Roman – Easy to Love

Juan Yarin – If I Could Stop The Sunset (Roy Rosenfeld Remix) 

D-nox – “Hearbeat’’, foi outra que me chamou muita atenção. Ela é a cara do Sharam e lembra muitas que ele jogava muitos anos atrás.

Deep Dish – “Say Hello’’ (Afteru remix), mais uma das clássicas que fez todos cantarem e se extasiarem com sua repetição nostálgica. 

Angel Heridia – Need to Feel Love

Outra faixa que não dá pra deixar de mencionar é o novo remix de Helsloot para “My Lexicon’’ do Sander Kleinenberg. 

As horas foram passando sem pressa, não foi uma daquelas noites que você pensa “já acabou?’’. Foi diferente, a forma deles tocar deixando as faixas correrem mais tempo faz com que o tempo permaneça no presente. Fazendo com que pudéssemos sair, ir no banheiro, buscar algo para beber, falar com amigos, mudar de lugar e saber que ainda teríamos horas de show e música de qualidade. 

Eu com meus amigos, começamos a noite no globo verde e acabamos praticamente no vidro do front, pra ver eles de pertinho. Também vale ressaltar que após as 02h am, uma parte do público que veio no início foi embora e então a pista ficou extremamente confortável para curtir, na medida certa. 

Tchami – Adieu, quando já estava amanhecendo, foi um dos grandes momentos do set. A partir daí, um sol amarelo clássico do Warung foi se desenhando no fundo da pista, como tantas e tantas vezes vimos acontecer. O mais incrível é que a reação de todos sempre é de certa incredulidade, como se fosse a primeira vez. Lembro de ver o Dubfire chamando o LRB para prestar atenção no que estava acontecendo lá atrás.

Com o dia claro, raios de sol por todos os lados, “Dreams’’ vem para coroar a noite, seu vocal irresistível faz todos cantarem alegres e emocionados.

Dubfire faz questão de chamar o Conti e pedir aplausos a ele, bem na hora que jogam “Broken Glass’’ do Booka Shade, com remix do Helsloot (que produtor). Minha faixa favorita de 2025, caiu como uma luva pela manhã. Infelizmente perdi o vídeo do momento. 

Certamente um momento marcante, um agradecimento mais que merecido a tantos e tantos anos de confiança mútua entre clube, staff e artistas. Com alguns nomes, não se trata mais de relação profissional, e sim de ‘’voltar para casa’’, de rever amigos, e simplesmente aproveitar a chance de mais uma vez tocar em um dos clubes mais icônicos de todos os tempos. Deep Dish encerra sua passagem como iniciaram, fazendo novos fãs e deixando aquela vontade de uma noite mais.

It’s all about groove