Nos últimos meses, Ricardo Hingst, o HNGT, tem vivido uma fase de consolidação dentro e fora do Brasil. A recente tour internacional, que passou pela Argentina e chegou até a África do Sul, marca sua expansão e um amadurecimento perceptível na forma como vem se posicionando musicalmente, lapidando seu repertório e fazendo uma leitura de pista cada vez mais precisa, se ajustando a contextos culturais distintos.
Esse momento de circulação internacional coincide com uma fase particularmente produtiva em estúdio. Nas últimas semanas, HNGT lançou uma sequência consistente de trabalhos que ajudam a mapear a evolução do seu som: o retorno à ALAULA com “Spiritual World”, o remix de “Flashpoint”, de Gabriel Moraes, “Quantum Bounce” pela KOSMOS,a colaboração “Rituals” com NoNameLeft pela Iboga Records e o retorno a Volta Records, gravadora de Victor Ruiz com a faixa “Robot”
As faixas revelam um artista que parte do Techno como base, mas que hoje se permite dialogar com vertentes vizinhas — especialmente o Psytrance — de forma consciente, sem perder identidade nem funcionalidade de pista.
Em meio a esse cenário, conversamos com Ricardo sobre os aprendizados da tour, o atual momento criativo, a importância dos suportes que vêm surgindo e os próximos passos do projeto rumo a 2026.
Olá, Ricardo. Você finalizou no final do ano mais uma tour internacional, tocando na Argentina e até na África do Sul. Como foram essas experiências? Você fez sets diferentes pra cada lugar?
Olá, pessoal. Obrigado pelo convite e pelo espaço! As experiências foram bem legais e diferentes de onde eu já havia tocado. A vibe do pessoal da pista é bem quente, em ambos os locais o público dançava muito e são muito bem receptivos, tive a oportunidade de testar novas faixas, tanto minhas quanto de produtores amigos.
A resposta da pista foi muito boa. Busquei apresentar sets diferentes, apesar de terem músicas em comum, pois boa parte das tracks são faixas autorais, mas claro, cada um pra um tipo diferente de ocasião.
Em uma delas você fez o warm up para ninguém menos que Eli Brown, em um evento assinado pela Mixmag Latam. Como foi a preparação especificamente pra essa gig?
Esse evento foi bem especial pra mim, eu curto bastante o som do Eli Brown. Acredito que ele seja um dos artistas mais influentes do techno peak-time e eu gosto muito desse tipo som. A preparação foi cuidadosamente pensada para que eu pudesse mostrar o meu som, sem queimar largada, considerando que era a minha estreia em Mendoza.
Nos bastidores, você comentou que a gig no Habitat Festival, na África do Sul, foi uma das melhores da sua carreira. Queremos saber mais…
Já me apresentei em diversos festivais e lugares diferentes e esse em especial foi em uma floresta chamada Arcadian Forest, com umas árvores gigantescas, a duas horas de Cape Town, foi uma vibe meio conto de fadas, algo bem místico… a reação do público também foi fenomenal.
Você começou essencialmente produzindo Techno, mas está cada vez mais explorando outras vertentes vizinhas, inclusive flertando bastante com o Psytrance, correto? O que mais tem te atraído nesse sentido? Suas tracks estão focando em qual aspecto principal?
Eu comecei produzindo techno, eu ainda faço techno, mas no caso um pouco mais aberto a misturas. No começo eu não sabia muito bem o que estava fazendo, então acho que era um pouco mais limitado por entender o que eu estava fazendo, mas na medida que eu fui evoluindo, fui me sentindo mais à vontade para testar coisas diferentes e misturar coisas diferentes na minha produção. Então basicamente o aspecto musical que minhas track estão focando é muito mais voltado para energia, melodias hipnóticas, que liberem tensão no drop e que lembrem o espaço e coisas estelares, algo mais ligado em passar uma visão sobre o universo que a gente vive.
Falando nisso, nas últimas semanas você lançou ‘Spiritual World’, retornando à ALAULA, o remix de ‘Flashpoint’, de Gabriel Moraes, Quantum Bounce, ‘Rituals’ colaborando com NoNameLeft pela Iboga, e Robot pela Volta, mantendo um ritmo bem intenso de lançamentos. Você sente que está no seu melhor momento criativo?
Sinto que estou em um momento criativo legal, mas o fato de ter muito lançamento não necessariamente significa um momento criativo por conta de que são músicas que já estavam prontas há bastante tempo. Na realidade estou querendo diminuir o ritmo, pois a pressão e deadlines são algo que limitam um pouco a criatividade. Em 2026 pretendo desenvolver mais o meu som e me sentir um pouco mais livre na questão dos lançamentos.
E ainda dá pra produzir quando tá em tour ou as ideias nascem mais no seu home studio? O que te inspira e faz dar start em um novo projeto?
Eu não sou muito de produzir fora do meu home studio, mas fiz uma track na Argentina que se chama Dark Empire, é um psy meio cyberpunk, meio techno e meio peak time, algo bem diferente… eu testei essa track em um dos festivais e a reação foi bem positiva. Ela ainda não está finalizada em 100%, mas vamos ver. O que me inspira em dar um start em um projeto é achar um hook, seja um vocal, synth ou algo do tipo.
Naturalmente, com suas produções cada vez mais polidas, os suportes também seguem aparecendo. Como um artista que está se consolidando agora após uma fase inicial, como você enxerga a importância desse apoio de outros artistas?
Eu acho muito importante, até porque foi uma das coisas que mais me alavancou, o fato de ter suporte de grandes artistas. Eu acho que no Brasil tem essa cultura de que tudo que é de fora é melhor em todos os sentidos, então muitas vezes é indiferente se você tá fazendo um bom trabalho aqui… se você vai pra fora você sobe de nível. se alguém de fora toca, é melhor e isso é uma parada que acontece em todo lugar, não só na indústria da música, é um negócio muito do brasileiro, eu acho que a gente tinha que valorizar um pouco mais o produto nacional sem precisar de uma confirmação externa, digamos assim.
Mas ao mesmo tempo é importante até mesmo para o nosso desenvolvimento como artista, ter mais confiança no nosso som porque a gente tá sempre querendo melhorar e sempre achando que tá ruim aqui e ali, então sempre quando alguém grande toca o seu som é uma forma de saber que está indo no caminho certo.
E quais as novidades para 2026? Você já tem novos releases agendados? Objetivos traçados? Qual será seu foco para o próximo ano? Obrigado!
2026 tem tudo pra ser ótimo, acabei de entrar para a Dance Art, agência do meu manager (Jonathan Posso), Renato Ratier e outros grandes players do mercado. Além disso, tenho bastante música pra sair. Em fevereiro lanço minha primeira Collab com o Victor Ruiz, e em março um remix pra uma das minhas faixas favoritas antigas dele, pela Volta, vai ser um anoincrível e espero que vocês sigam acompanhando! 🙂
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