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DOSAMIS: identidade, propósito e um novo nome promissor dentro do Afro House

O produtor franco-marroquino DOSAMIS vem ganhando espaço na cena construindo uma carreira passo a passo, marcada pelo trabalho constante e escolhas honestas sobre o que quer representar musicalmente. Após estrear com ‘We Were High’ pela MoBlack Records, e lançar ‘Contesto’, pela VOD, faixa que foi muito tocada por Keinemusik, ele agora apresenta seu novo single, ‘Maabola’, que chegou no fim de novembro pela Klub Record.

A faixa apresenta um recorte preciso do momento que vive: um artista que aposta na funcionalidade, na solidez rítmica e em uma identidade própria, conectada às suas influências. Entre suas raízes, sua busca por autenticidade e o desejo de criar algo verdadeiramente pessoal, DOSAMIS chega à GROOVE para uma conversa sobre processo, desafios, direção estética e outras camadas que moldam seu trabalho.

Olá, DOSAMIS. Obrigado por nos receber. Você ainda é um nome novo para muita gente, incluindo para nós. Conte-nos brevemente sobre seu início na cena eletrônica? O que te fez acreditar em uma carreira na música? 

Meu início na cena eletrônica foi muito natural. A música sempre fez parte da minha vida, mas no começo eu não tinha um plano claro de carreira — era mais sobre experimentar, aprender e entender quem eu era artisticamente. Com o tempo, conforme fui produzindo com mais consistência e vendo a reação das pessoas às minhas músicas, comecei a acreditar que isso podia ir além de um hobby. Não foi um momento específico, mas um processo gradual que me deu confiança para levar a música a sério e apostar nesse caminho.

Em uma conversa prévia, você comentou que vê sua trajetória como um caminho marcado por autenticidade e persistência, além de desafios e sacrifícios. O que as pessoas ainda não sabem sobre esse processo que você poderia compartilhar com a gente?

O que muita gente ainda não vê é tudo o que acontece longe dos holofotes. Existe muita incerteza, momentos de dúvida e fases em que os resultados demoram a aparecer. Há faixas que nunca são lançadas, ideias que precisam ser abandonadas e escolhas difíceis entre seguir tendências ou permanecer fiel ao que eu acredito. Esse processo exige muita paciência e resiliência, e faz parte da construção do artista tanto quanto os lançamentos.

Algo que notamos e sentimos nas suas três músicas é que, todas elas, carregam um toque emotivo particular. É uma característica que você busca trazer nas suas produções? Algo como uma “marca registrada” sua? Você tem alguma referência mais específica? 

Sim, esse lado emotivo é algo que eu busco conscientemente. Para mim, a música precisa ter alma, não apenas funcionar na pista. Tento sempre encontrar um equilíbrio entre groove, ritmo e emoção, seja através das melodias, dos vocais ou das texturas. Se existe uma “marca registrada” no meu som, talvez seja exatamente isso: criar faixas que conectam com as pessoas de forma emocional, sem perder a energia necessária para o dancefloor.


E você já chegou chegando com seu trabalho de estúdio, logo no primeiro release assinando com a MoBlack, como isso aconteceu? ‘We Were High’ ajudou a abrir portas para lançar posteriormente na VOD de Rampa?

Lançar pela MoBlack com a minha primeira faixa aconteceu de forma muito natural. We Were High foi um som em que eu realmente acreditava, e a gravadora se conectou com ele imediatamente. O Rampa inclusive me ajudou a finalizar a faixa. Esse lançamento me deu um grande impulso de confiança e colocou minha música diante das pessoas certas. Ele definitivamente ajudou a abrir portas, mas Contesto na verdade foi assinada antes de We Were High e lançada depois, e foi essa faixa que realmente abriu as portas para a MoBlack e, mais tarde, para outros selos, incluindo a VOD.

Já que mencionamos, tente nos dizer o quão importante foi ‘Contesto’ para a sua carreira… é uma faixa que explodiu cedo e já chega perto de 6 milhões de streams no Spotify. Imaginamos que você não esperava isso tão cedo…

DOSAMIS: – Contesto foi um divisor de águas na minha carreira. Eu não imaginava que a faixa teria um impacto tão grande tão cedo. O apoio de artistas que admiro, especialmente dentro do universo da Keinemusik, mudou completamente a forma como meu trabalho passou a ser percebido. Ver a música se aproximando de 6 milhões de streams ainda é algo surreal, mas, acima de tudo, foi a confirmação de que eu estava no caminho certo.

Agora chegou ‘Maabola’, em um momento de afirmação da sua identidade musical. O que essa faixa representa dentro da narrativa que você vem construindo?

“Maabola” representa um momento de afirmação. É uma faixa que reflete claramente quem eu sou hoje como artista, tanto em termos sonoros quanto de identidade. Ela nasceu de um feeling muito forte, especialmente quando comecei a tocá-la nos meus sets e vi a reação do público. Dentro da narrativa que venho construindo, é um capítulo que mostra mais segurança, mais clareza e um compromisso ainda maior com o meu som.

A América Latina, especialmente o Brasil, tem respondido muito bem à sua música. O que você enxerga nessa conexão e que papel a região ocupa nos seus planos futuros? Podemos vê-lo por aqui em breve? 

A conexão com a América Latina, e especialmente com o Brasil, é algo muito especial para mim. Existe uma sensibilidade rítmica e uma energia que combinam muito com a minha música. Mesmo sem ainda ter ido ao Brasil, o apoio que recebo de lá é enorme. A região é uma parte fundamental dos meus planos futuros, e estamos trabalhando para que eu possa estar aí em breve, me conectar com a cena local e compartilhar essa troca de energia ao vivo.

Para onde você sente que seu som está se movendo agora? Que próximos passos você visualiza tanto estética quanto profissionalmente? Obrigado!

Sinto que meu som está evoluindo de forma mais madura e refinada. Estou aprofundando ainda mais nos grooves, nas percussões e nas texturas, sem perder a essência. Profissionalmente, meu foco é crescer de forma consistente e consciente, escolhendo bem os próximos lançamentos, parcerias e palcos. A ideia é construir uma carreira sólida, com identidade própria, deixando que a música continue guiando cada próximo passo.

[ENG-US]

DOSAMIS: Identity, Purpose, and a Promising New Name in Afro House

Franco-Moroccan producer DOSAMIS has been carving out his space in the scene, building his career step by step through constant work and honest choices about what he wants to represent musically. After debuting with ‘We Were High’ on MoBlack Records and releasing ‘Contesto’ on VOD—a track heavily played by Keinemusik—he now presents his new single, ‘Maabola,’ which arrived in late November on Klub Record.

The track offers a precise snapshot of his current moment: an artist who bets on functionality, rhythmic solidity, and a distinct identity connected to his influences. Between his roots, his search for authenticity, and the desire to create something truly personal, DOSAMIS joins GROOVE for a conversation about process, challenges, aesthetic direction, and other layers that shape his work.

Hello, DOSAMIS. Thank you for having us. You are still a new name for many people, including us. Tell us briefly about your start in the electronic scene? What made you believe in a career in music?

My start in the electronic scene was very natural. Music has always been a part of my life, but in the beginning, I didn’t have a clear career plan—it was more about experimenting, learning, and understanding who I was artistically. Over time, as I produced more consistently and saw people’s reactions to my music, I began to believe this could go beyond a hobby. It wasn’t a specific moment, but a gradual process that gave me the confidence to take music seriously and bet on this path.

In a previous conversation, you mentioned seeing your journey as one marked by authenticity and persistence, as well as challenges and sacrifices. What don’t people know yet about this process that you could share with us?

What many people don’t see is everything that happens away from the spotlight. There’s a lot of uncertainty, moments of doubt, and phases where results take time to appear. There are tracks that never get released, ideas that need to be abandoned, and tough choices between following trends or staying true to what I believe in. This process requires a lot of patience and resilience, and it’s as much a part of building an artist as the releases themselves.

Something we noticed and felt in your three tracks is that they all carry a particular emotive touch. Is this a characteristic you consciously aim to bring to your productions? Something like a “trademark” of yours? Do you have a more specific reference?

Yes, that emotive side is something I consciously pursue. For me, music needs to have soul, not just work on the dancefloor. I always try to find a balance between groove, rhythm, and emotion, whether through melodies, vocals, or textures. If there’s a “trademark” in my sound, maybe it’s exactly that: creating tracks that connect with people emotionally without losing the energy needed for the dancefloor.

And you made a strong entry with your studio work, landing your first release on MoBlack. How did that happen? Did ‘We Were High’ help open doors to later release on Rampa’s VOD?

DOSAMIS: – Releasing on MoBlack with my first track happened very naturally. ‘We Were High’ was a track I truly believed in, and the label connected with it immediately. Rampa actually helped me finish the track. That release gave me a huge confidence boost and put my music in front of the right people. It definitely helped open doors, but ‘Contesto’ was actually signed before ‘We Were High’ and released after, and it was that track that truly opened doors for MoBlack and, later, for other labels including VOD.

Since we mentioned it, try to tell us how important ‘Contesto’ was for your career… it’s a track that blew up early and is already nearing 6 million streams on Spotify. We imagine you didn’t expect that so soon…

‘Contesto’ was a turning point in my career. I didn’t imagine the track would have such a big impact so early. The support from artists I admire, especially within the Keinemusik universe, completely changed how my work started to be perceived. Seeing the music approach 6 million streams is still surreal, but above all, it was confirmation that I was on the right path.

Now comes ‘Maabola,’ at a moment of affirming your musical identity. What does this track represent within the narrative you’ve been building?

DOSAMIS: – “Maabola” represents a moment of affirmation. It’s a track that clearly reflects who I am today as an artist, both sonically and in terms of identity. It was born from a very strong feeling, especially when I started playing it in my sets and saw the crowd’s reaction. Within the narrative I’ve been building, it’s a chapter that shows more confidence, more clarity, and an even stronger commitment to my sound.

Latin America, especially Brazil, has responded very well to your music. What do you see in this connection, and what role does the region play in your future plans? Can we see you here soon?

DOSAMIS: – The connection with Latin America, and especially Brazil, is something very special to me. There’s a rhythmic sensitivity and an energy that blend very well with my music. Even though I haven’t been to Brazil yet, the support I receive from there is enormous. The region is a fundamental part of my future plans, and we are working on me being able to go there soon, connect with the local scene, and share that exchange of energy live.

Where do you feel your sound is moving now? What next steps do you envision, both aesthetically and professionally? Thank you!

I feel my sound is evolving in a more mature and refined way. I’m delving even deeper into grooves, percussion, and textures without losing the essence. Professionally, my focus is on growing consistently and consciously, choosing my next releases, partnerships, and stages carefully. The idea is to build a solid career with its own identity, letting the music continue to guide each next step.

It’s all about groove