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09/10/2026

Uma tarde que vira noite: música eletrônica transforma o pôr do sol em parte da experiência

Quando os portões se abrem, ainda é tarde. O público chega sob a luz do dia, os primeiros beats começam a ocupar a pista e, algumas horas depois, o cenário já é completamente diferente. O sol desaparece, as luzes assumem o protagonismo e a mesma festa entra em uma nova atmosfera sem que ninguém precise sair do lugar. Esse percurso entre tarde, pôr do sol e noite tornou-se parte da experiência de muitos eventos de música eletrônica. As chamadas day parties, festas que começam no início ou no meio da tarde, ganharam espaço em cidades como Curitiba e também fazem parte da cultura eletrônica de destinos internacionais. Em Barcelona, por exemplo, o Brunch Electronik cresceu a partir de uma proposta de festas diurnas e, em 2026, ampliou seu festival para três dias.

Curitiba terá sua própria experiência desse formato em 31 de outubro. A partir das 14h, a Pedreira Paulo Leminski recebe Solomun e Vintage Culture para uma programação que começa com o sol ainda alto e transforma um dos principais espaços de shows do país em uma grande pista a céu aberto. A data, o horário e as duas atrações estão confirmados na agenda oficial de turismo de Curitiba.

Começar cedo não significa simplesmente antecipar aquilo que tradicionalmente aconteceria à noite. Em espaços abertos, a passagem das horas modifica a própria experiência do evento. Durante a tarde, arquitetura, paisagem e público ficam completamente expostos. O pôr do sol cria uma transição natural e, quando anoitece, iluminação, projeções e elementos visuais passam a ganhar maior presença. Para os DJs, essa transformação também oferece diferentes possibilidades para a construção musical ao longo da programação.

É uma lógica especialmente ligada à música eletrônica, gênero no qual apresentações prolongadas e festivais de muitas horas fazem parte da cultura. Eventos diurnos e ao ar livre aparecem há décadas na história da cena, dos encontros ligados ao acid house britânico a grandes festivais contemporâneos. Mais recentemente, o formato também passou a aparecer com força na programação urbana. Em São Paulo, festas iniciadas por volta das 14h vêm ocupando rooftops, áreas abertas e outros espaços, criando uma alternativa à programação concentrada na madrugada.

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