No próximo dia 20 de junho, o Ame Club recebe um daqueles artistas que dispensam apresentações. Ou pelo menos deveria ser assim. Afinal, depois de mais de três décadas de carreira, centenas de lançamentos, incontáveis festivais e uma das gravadoras mais influentes da música eletrônica, Adam Beyer já ultrapassou há muito tempo a categoria de simples headliner.
Mas existe uma diferença importante entre ser popular e ser importante. Quando o techno começou a se espalhar pela Europa nos anos 90, Beyer era apenas mais um jovem produtor sueco tentando encontrar seu espaço em uma cena dominada por cidades como Detroit, Berlim e Londres. Seus primeiros discos carregavam aquela estética crua da época: grooves repetitivos e poucos elementos. Inicialmente, nada indicava que aquele produtor discreto acabaria se tornando uma das figuras mais influentes da história moderna do gênero.
Foi então que, em 1996, Beyer criou a Drumcode. O selo nasceu como tantos outros daquela geração: um lugar para lançar suas próprias músicas. Só que, em algum momento, deixou de ser apenas uma gravadora. A Drumcode se transformou em um ponto de encontro. Um espaço onde artistas, sonoridades e tendências passaram a convergir.
Se você frequentou clubes ou festivais de techno nos últimos quinze anos, existe uma grande chance de ter dançado ao som de artistas que passaram pela órbita da Drumcode. Alguns construíram suas carreiras ali. Outros encontraram no selo uma plataforma para alcançar novos públicos. Poucas gravadoras conseguiram exercer tanta influência sobre a direção estética de um gênero durante tanto tempo — e é justamente aí que Beyer se diferencia de muitos de seus contemporâneos.
Enquanto alguns artistas deixaram sua marca através de discos clássicos, ele ajudou a construir parte da infraestrutura que permitiu ao techno crescer globalmente. Foi peça chave no impulsionamento de diversas carreiras, nos eventos que ajudou a consolidar e na maneira como o gênero passou a dialogar com públicos muito maiores.
Mas claro, também existiu um pouco de resistência. Muitas pessoas conheceram e ouviram techno pela primeira vez através da Drumcode, enquanto outra parte critica justamente essa popularização massiva do gênero. Os debates sobre “business techno”, por exemplo, dificilmente acontecem sem que o nome de Adam Beyer apareça em algum momento da conversa.
Só que é aí que conseguimos medir sua relevância de forma mais honesta. Porque artistas realmente importantes não passam despercebidos. Eles provocam reações. Geram discussões. Alteram o curso das coisas. E no caso de Beyer, goste-se ou não dos rumos que o techno tomou nos últimos anos, é impossível contar essa história sem mencioná-lo.
Por isso sua apresentação no Ame Club carrega um significado que vai além da oportunidade de ver um dos maiores DJs do mundo em ação. Ao lado de Ratier, Roddy Lima, DJ Glen e Nana Torres, o sueco retorna ao Brasil trazendo consigo uma trajetória que se confunde com a própria evolução do techno contemporâneo. E desta vez, com um extended set de quatro horas. Esteja preparado.
It’s all about groove