Skip to content

Entre sonhos e muito trabalho: Lutgens fala sobre o momento que vive em sua carreira

O techno nacional pode ter mais um grande representante nos próximos anos se depender de Henrique Dutra, o Lutgens. O DJ e produtor paulista atravessa uma fase de ascensão na carreira com bons lançamentos e suportes, está bastante ativo no estúdio e muito em breve devemos ouvir novas tracks suas por aí. 

No final do ano passado, ele fez o seu lançamento mais importante da carreira, remixando ‘Human Robot’ de Victor Ruiz & Alex Stein, faixa que saiu através da VOLTA Records; logo na sequência, no início de janeiro, mais um lançamento pela VOLTA, desta vez sua collab inédita com L_cio, ‘Up and Down’. São duas faixas consistentes de techno que demonstram um produtor afiado tecnicamente e criativamente. 

Pela frente, Lutgens já adiantou que possui [completar após entrevista]. Abaixo, você confere o bate-papo que tivemos com ele e entende mais o momento importante que o artista vive.

Oi, Henrique! Obrigado por falar com a gente. Você está num momento especial da carreira onde as coisas vem acontecendo com mais frequência, bons lançamentos, suportes, uma comunidade envolvida… como você está se sentindo com tudo isso?

Olá, pessoal! Obrigado pelo espaço e reconhecimento mais uma vez. Me sinto muito feliz e cada vez mais convicto de que nasci para isso e de que esse é o propósito da minha vida. Independentemente de fases ou resultados, vou continuar fazendo música, cuidando desse caminho e mantendo a minha verdade como centro de tudo.

Em termos de identidade, como você enxerga ela hoje? Já sente que existe um “som Lutgens” reconhecível ou ainda está em fase de lapidação? Tem algo nas suas músicas que você considera ser exclusivamente seu? 

Hoje eu enxergo minha identidade como algo bem sólido e forte, principalmente na forma em como construo meus synths, timbres e o groove. Existe um padrão nos drums, nas basslines e na maneira como as músicas se movimentam… Ao mesmo tempo, nos últimos meses tenho me permitido explorar novas sonoridades. Sinto que estou me redescobrindo criativamente, quase como um novo ciclo dentro do mesmo projeto e isso tem sido muito irado. Não vejo essa fase como uma perda de identidade, mas como um refinamento dela.

E sim, acredito que exista algo nas minhas músicas que é exclusivamente meu, mesmo que eu ainda não saiba definir exatamente o que é. Talvez seja justamente essa combinação de intuição, construção sonora e sentimento que acaba tornando o som reconhecível antes de ser explicado.

‘Human Robot Remix’

A gente sabe que apesar desse bom momento, é preciso manter o ritmo. Hoje, como você tem organizado sua rotina de estúdio com o seu dia a dia? O que tem sido sua prioridade, pessoalmente e profissionalmente falando?

Eu tenho estado extremamente focado no estúdio. Acordo cedo, vou à academia e, quando volto, é estúdio até de noite. Até numa conversa com a minha namorada esses dias ela comentou que eu não estou andando de skate com tanta frequência, que isso sempre me fez bem, ahahah. Mas isso não é ruim… é ótimo porque eu tenho me divertido muito no estúdio e também tenho algumas metas bem claras. Então hoje a maior parte do meu dia é dedicada a fazer música… estou completamente abduzido pelo estúdio. Mas no fim de semana, eu pauso e aproveito a minha família e jogo um pouco de videogame também.

Um dos artistas mais importantes nessa jornada tem sido o Victor Ruiz, correto? Você considera que o suporte dele foi fundamental para você chegar nesse “nível atual”? Além dele, você destacaria algum outro artista que tem sido uma peça importante no desenvolvimento da sua carreira? 

Com certeza! Ter o suporte do Victor Ruiz foi algo fundamental para a minha carreira e também para o meu lado pessoal. Fiquei muito feliz quando isso começou a acontecer. Além disso, o fato de ele tocar e lançar minhas músicas no selo dele, VOLTA, fez com que o meu som chegasse a mais artistas, gerasse mais suportes e alcançasse mais pessoas. Sou muito grato por tudo isso. Além dele, o suporte da ANNA e do Enrico Sangiuliano também foi algo incrível. Inclusive, já vi os três tocando minhas músicas… artistas dos quais sempre fui fã, que sempre me inspiraram musicalmente, e que de repente estão tocando meu som. Isso é algo muito especial e inspirador pra mim.

‘Up and Down’

Existe um ponto delicado que é: sabemos que o techno no Brasil não tem tanta força quanto lá fora. Inclusive muitos artistas chegam a ir para a Europa para de fato tentar fazer a carreira acontecer. Você considera essa possibilidade? Como você enxerga isso? 

Pra ser sincero, já foi um grande sonho morar na Europa e viver do meu som por lá. Por muito tempo isso era o que eu mais pensava. Mas os anos foram passando, minha sobrinha nasceu, me aproximei muito da minha família e com isso muita coisa mudou. Hoje eu realmente espero poder viver de techno no Brasil. Eu amo morar aqui, amo demais o Brasil e as pessoas que estão por aqui, então gostaria muito que desse certo aqui. Sei que o techno ainda não tem tanta força no Brasil quanto lá fora, mas ainda… quem sabe?

A vida é assim… a música toca e a gente vai dançando. Se em algum momento essa for a escolha que eu precise fazer, eu vou pra Europa. Mas, no fundo, meu desejo é conseguir construir tudo isso sem precisar ir embora.

E já que estamos falando sobre o futuro: você tem alguma wishlist ou metas a serem alcançadas? Lugares onde sonha em tocar, labels que deseja lançar, artistas com quem colaborar…

Hoje eu tento não trabalhar com uma wishlist muito fechada. Prefiro pensar em metas como consequência do processo e não como objetivos isolados. Meu foco principal é continuar evoluindo artisticamente, lançar minhas músicas que façam sentido pra mim e manter a consistência do trabalho… 

Claro que existem lugares, labels e artistas que admiro muito, e seria incrível cruzar caminhos com eles em algum momento, mas não encaro isso como algo a ser conquistado a qualquer custo. Se acontecer, que seja de forma natural, no tempo certo e alinhado com o som que eu estiver fazendo naquele momento… No fim das contas, minha maior meta é seguir fazendo música com verdade e deixar que o resto se construa a partir disso.

E por fim, quais são seus planos para os próximos meses? Tem trabalhado em algum projeto especial? Onde está mirando acertar neste ano de 2026? Obrigado!

Para os próximos meses o plano é seguir exatamente nesse ritmo de foco e consistência. Tenho trabalhado em bastante música nova, explorando ideias e sonoridades que fazem sentido com o momento que estou vivendo agora.

Em 2026, minha mira está em consolidar ainda mais essa fase artística que é lançar músicas que representem bem quem eu sou hoje, fortalecer conexões que já existem e seguir construindo o projeto de forma sólida e honesta, entre estúdio e pista, como parte natural do mesmo fluxo. Não penso tanto em números ou marcos externos, mas em evolução real…  artística, pessoal e sonora.

Siga Lutgens no Instagram

It’s all about groove