Se você já jogou algum game de ritmo, provavelmente já teve aquela sensação de esquecer o tempo e até o mundo em volta. Jogos rítmicos sempre fizeram bastante sucesso porque demandam um envolvimento muito grande dos jogadores. Não por acaso, eles acabaram se aproximando cada vez mais da música eletrônica — e, mais especificamente, da figura do DJ.
Essa história começa ainda nos anos 90, quando os jogos deixam de tratar música apenas como trilha (como no famoso Wipeout) e passam a colocá-la no centro da experiência. Em 1997, a Konami lançou o Beatmania, onde pela primeira vez, o jogador não só acompanhava o ritmo, mas simulava gestos reais de DJ, com botões e um disco giratório que lembrava um toca-discos. Era simples, limitado, mas abriu uma porta importante: jogar podia ser uma forma de tocar música.
Alguns anos depois, em 2001, surgiu o Frequency, que ampliou essa lógica ao permitir remixar faixas em tempo real, alternando canais e estruturas musicais. O jogo não falava diretamente de discotecagem, mas introduzia algo fundamental: entender música como camadas, decisões e fluxo — exatamente como um DJ faz.
Essa ideia chega ao grande público no fim dos anos 2000 com DJ Hero e sua sequência, DJ Hero 2. Usando um controle próprio em formato de pick-up, o jogo popularizou o imaginário do DJ para uma geração inteira. Mashups, scratches e performances fizeram sucesso — mas havia uma limitação: apesar da estética, aquilo não ensinava discotecagem de verdade. Era um jogo fechado, baseado em sequências pré-definidas, sem transferência real para a vida fora da tela.
Mais recentemente, títulos como Fuser (2020) avançaram na liberdade criativa, permitindo misturar elementos de músicas diferentes em tempo real. Ainda assim, o foco seguia sendo entretenimento, não aprendizado técnico.
É justamente nesse ponto que o DJ Life Simulator se diferencia — e faz sentido dentro dessa linha evolutiva. Ele não surge para competir com esses jogos, mas como uma continuação natural dessa história, levando a ideia de jogo rítmico para um outro nível: o da prática. O jogo parte da ideia de que videogame e música eletrônica sempre caminharam juntos, mas propõe usar essa linguagem para ensinar discotecagem de verdade.
Aqui, não se trata de acertar notas pré-definidas ou seguir uma coreografia engessada. O DJ Life Simulator simula a prática real do DJ: mixagem, leitura de pista, escolha de tracks, uso de EQ, efeitos e estrutura musical. Dá para conectar controladoras MIDI reais e jogar como se estivesse em uma cabine profissional — mas isso não é obrigatório. O jogo funciona também com mouse e teclado, o que abre a experiência para quem quer aprender do zero ou apenas testar se esse universo faz sentido.
No Modo Carreira, o jogador vive a trajetória clássica do DJ, começando no quarto e avançando para gigs maiores, com públicos que reagem de forma diferente ao set. Já o Modo Academy organiza o aprendizado em etapas curtas, com feedback imediato, facilitando a vida de quem sempre achou que aprender a tocar era algo inacessível ou complexo demais. E o Free Play existe justamente para errar, experimentar e tocar sem pressão — como deveria ser.
O DJ Life Simulator chama atenção principalmente por tornar a discotecagem mais acessível, já que equipamentos, cursos e softwares profissionais ainda custam caro — especialmente no Brasil. Portanto, a possibilidade de aprender, treinar e entender a lógica de um set sem precisar investir de imediato em uma controladora muda bastante o jogo. Quem sempre teve curiosidade em ser DJ, mas esbarrou no custo inicial, passa a ter um ponto de entrada mais realista. E quem já toca encontra um espaço seguro para praticar, testar ideias e evoluir.
Curtiu? Então é bom saber que o game já possui uma demo grátis para você testar e jogar. Mas no momento, está em fase de financiamento coletivo e você também pode ajudar através deste link. A meta é arrecadar pelo menos 50 mil reais, ou seja, toda ajuda é muito bem-vinda.
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