Não é novidade que Florianópolis se consolidou como um dos principais destinos para grandes eventos de música eletrônica durante o verão do hemisfério sul. Desde os tempos de clubes icônicos como Pacha e El Divino, passando pelo festival Creamfields, a ilha alternou momentos de auge e retração na cena eletrônica. Nos últimos anos, no entanto, observa-se um direcionamento mais claro para vertentes underground, como minimal, techno e, sobretudo, o progressive house.

Esse movimento encontra forte respaldo no P12, reconhecido como um dos maiores beach clubs do mundo. O clube soube interpretar o interesse do público local e internacional, impulsionado principalmente pela presença crescente de argentinos, chilenos e uruguaios, que se conectam a uma cultura de progressive house presente em Santa Catarina há décadas.

A programação de verão do P12 contou com uma seleção consistente de artistas argentinos e brasileiros, dentro da festa meetday, promovida pela plataforma Floripa Summer. O ponto alto da temporada aconteceu com a terceira passagem de Hernan Cattaneo pelo clube, convidado para realizar dois sunsets consecutivos, um feito inédito no Brasil.
Nos dias 23 e 24, o “El Maestro” apresentou dois sets distintos, reafirmando sua versatilidade e domínio da pista. Recém-retornado de férias, Hernan entregou, na sexta-feira, quatro horas de set com variações intensas de energia. Já no sábado, conduziu uma apresentação de cinco horas, com uma construção mais clubber, linear e lisérgica, desenvolvendo a narrativa sonora de forma progressiva até um ápice coletivo na última hora.

A programação dos dois dias contou ainda com warm-ups de nomes relevantes da cena, como André Moret, Albuquerque, Teclas, Blancah e Ezequiel Arias, que se revezaram entre a tradicional piscina do clube e o palco principal.

Na sexta-feira, dia 23, o Terraza também entrou no clima do progressive house ao receber Nick Warren, que estava em turnê pela América do Sul. Nick realizou um set de 3h30 em uma pista especialmente preparada a céu aberto, com troca do sound system para funktion-one e direito a fogos de artifício durante a apresentação.

Visivelmente satisfeito, Nick Warren celebrou o reencontro com o público brasileiro, país onde não tem se apresentado com frequência nos últimos anos. Dono de um Global Underground gravado em São Paulo, o artista pareceu ressignificar sua relação com o Brasil após um set que emocionou e energizou a pista. O warm-up da noite ficou por conta do residente Ricardo Lin, além dos artistas catarinenses Edu Schwartz e Danee, que entregaram um b2b coeso e bem construído.

O lendário DJ inglês, que foi um dos pioneiros desde os anos 90, lançou seu primeiro álbum totalmente autoral em 2025, foi muito lindo ver o público de muitos brasileiros, dançando através de seu groove único.

Ainda na sexta-feira, o Milk Club localizado em frente ao P12 e conhecido por receber os afters, manteve a energia até o amanhecer, com sets de Campaner, Zac e Bianco Vargas.
No sábado, o Milk Club recebeu o after oficial com o showcase da Epicenter, primeira agência brasileira dedicada exclusivamente ao progressive house. O line-up contou com Criss Deeper, André Moret, Ezequiel Arias e Luciano Scheffer, que conduziram a pista até as 6h30 da manhã.

Muitas e muitas horas de música progressive em dois dias históricos para a ilha da magia. Vale lembrar que só em janeiro Floripa recebeu artistas como Guy Gerber, Kamilo Sanclemente, Emi Galvan e Juan Hansen.

A agenda segue intensa: no dia 30, o progressive house retorna ao P12 com Kevin Di Serna, um dos principais nomes do estilo na atualidade.

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