Se você é um amante da música eletrônica, especialmente do Techno, é quase impossível você nunca ter escutado falar no nome de Acid Asian, brasileiro que hoje é uma das grandes sensações do Hard Techno não só aqui no país, mas também em outras partes do mundo. E tudo começou graças ao Tomorrowland, em 2012, quando ele assistiu um vídeo do festival pela primeira vez e decidiu que iria se tornar DJ.
Anos depois, em 2018, foi introduzido ao Techno, estilo que virou sua paixão, e, mais que isso, se tornou seu propósito de vida. O menino que sonhava assistindo ao festival, em poucos anos, se veria tocando neste palco, levando consigo a energia do Hard Techno brasileiro. Sim, Acid Asian está confirmado na edição de 2025 do Tomorrowland na Bélgica, conquista que marca de vez a consagração desse fenômeno nacional. “Em 2023, fiz minha própria estreia no TML Brasil. Agora, subir no palco do TML da Bélgica parece fechar esse ciclo. Espero que isso seja apenas o começo de uma jornada ainda maior”, ele nos diz.
É importante destacar também que Acid Asian foi o primeiro brasileiro a lançar um EP pela KNTXT, o selo de Charlotte de Witte, uma das maiores inspirações de sua carreira. Desde o lançamento de Break Into Acid, em 2022, ele viu sua música atravessar fronteiras, o que abriu portas para ele tocar não só no Brasil, mas em diversos clubs e festivais internacionais, como o ADE em Amsterdã e a KNTXT em Manchester. Recentemente, em dezembro, ele voltou à KNTXT com outro EP, Deep Soul, mostrando ao mundo que ter chego até aqui não foi questão de sorte, mas sim de puro talento e evolução — e é por meio dessa trajetória que ele deseja inspirar outros a acreditarem que seus sonhos também são possíveis.
Nesta entrevista, tivemos a oportunidade de falar com ele sobre a sua relação com a KNTXT, as diferentes cenas do Hard Techno no Brasil e na Europa, suas experiências pelo mundo e mais. Acompanhe:
Olá, Fábio! Tudo bem? Obrigado por falar com a GRVE e parabéns por este novo lançamento. É possível dizer que sua relação com a KNTXT mudou sua vida? O que você tira de mais valioso desta parceria com a gravadora?
E aí, galera da GRVE. Muito obrigado pelo convite! Meu primeiro lançamento na KNTXT me abriu portas que reverberam até hoje, porque foi a partir desse lançamento que meu nome foi colocado no mercado do techno. A cada lançamento com eles, novas portas vão se abrindo. Então, com certeza a KNTXT tem um significado muito importante na minha carreira. O mais valioso que eu tiro dessa parceria é a liberdade que eu tenho para me expressar através das minhas músicas e a confiança que eles têm em mim desde o começo, quando não tinha tocado em nenhuma festa e nenhum release.
O Hard Techno está em franco crescimento no Brasil, mas ainda não possui uma cena como na Europa. Quais têm sido os principais desafios de ser um artista do estilo no país?
O que eu venho conquistando no Brasil e ainda tendo esse reconhecimento do público brasileiro é algo que me deixa muito feliz e sou muito grato a todo esse suporte que a galera vem me dando. Acho que o principal desafio é o gap que a gente tem entre as festas maiores como DGTL, Time Warp, Tomorrowland e, recentemente, a primeira edição do Verknipt; das festas underground. Porque nessas festas maiores o palco do hard techno sempre está cheio, só que esse mesmo público precisa começar a apoiar essas festas menores, para que elas sejam rentáveis e, consequentemente, ter mais investimentos, criando assim, oportunidades para novos DJs e mudando, aos poucos, a cultura do país. Porque lá fora, é muito claro que o techno é uma cultura para eles.
Seu novo EP traz uma ampla gama de referências, do Trap ao Psy. Como colocar tantas coisas diferentes dentro do estúdio e ainda assim fazer funcionar?
Acho que o principal é não ter medo de testar. Pra mim, estar no estúdio é uma passatempo que eu amo, então eu vou testando o que vem na minha cabeça. Se eu acho que ficou legal, sigo em frente com a ideia, caso contrário apago ou vou mudando até fazer sentido para mim.
Nos últimos dois anos você passou por algumas das principais pistas de clubs e festivais do Brasil, incluindo Laroc, D-EDGE, Tomorrowland e DGTL. Você tem uma preferência entre club ou festival? Sua forma de conduzir o set muda de acordo com o espaço?
É difícil responder, porque são experiências totalmente distintas, o clube por ser mais intimista, você acaba conseguindo sentir melhor a reação do público. Já em festivais, normalmente tem mais palcos, então o público que está lá é mais dinâmico, mas ao mesmo tempo você pode atingir uma nova galera que está escutando o estilo pela primeira vez e acabar gostando. Resumindo, acho que não tenho uma preferência, haha. Gosto dessas duas experiências.
Em relação ao set, muda um pouco porque no club gosto de testar várias coisas e o público que está lá gosta realmente do estilo. Já no festival, você precisa conversar com um público maior, então acabo levando algumas tracks que eu sei que dão certo, além das minhas tracks mais conhecidas, e se vejo que dá pra testar algo, arrisco.
Percebo também que o mercado internacional tem se aberto cada vez mais para você. O que essa intensa experiência de shows fora do país trouxe de melhor para você do ponto de vista pessoal e profissional?
Acho que na parte pessoal foi poder conhecer novas culturas e isso faz você ter uma outra percepção sobre a sua própria vida. Já na parte profissional, acho que não é porque você vai tocar fora que sempre vai estar cheio e vai ser melhor. Muito pelo contrário, algumas festas que toquei aqui no Brasil estavam bem mais cheias.
Outro ponto que ficou marcado para mim é que na gig da Alemanha não tinha muita gente. E aí eu trouxe uma questão para mim mesmo, se estava tocando pra mim, para o público ou para a rede social… Porque o público que estava lá, estava curtindo, e eu também. Então, concluí que o importante é estar feliz tocando, porque você passa isso para público, independente da quantidade de pessoas que tem na pista.
E para concretizar tudo isso, você fará sua estreia na Tomorrowland da Bélgica neste ano. O que passa pela sua cabeça ao recordar da sua trajetória até aqui e pensar que, em alguns meses, você estará tocando no principal festival de música eletrônica do mundo? Festival esse que motivou você a entrar no mundo da música…
Poder tocar na Tomorrowland Bélgica é como se fosse um agradecimento ao Fábio de alguns anos atrás por ter escutado a intuição e ter seguido no que realmente gosta e acredita. Além disso, eu sinto que é um ciclo se concretizando porque foi esse festival que me apresentou o Techno, em 2018, quando vi o set da Charlotte no YouTube.
Em 2022 vi minha música sendo tocada na TML Bélgica pela própria. Em 2023, tive minha estreia no TML Brasil. E em 2024, vi novamente minha música encerrando o palco principal do TML Brasil. Agora, em 2025, vou fazer minha estreia na Bélgica tocando no TML. Isso é algo surreal e espero que seja o começo de uma longa jornada.
Para finalizar, queria que você compartilhasse um pouco a respeito de quais são seus principais planos e objetivos para 2025. Obrigado por falar conosco!
Para 2025, a ideia é tentar passar mais uma temporada na Europa, já tenho alguns lançamentos fechados e continuar trabalhando no meu projeto para crescer cada vez mais. Muito obrigado pelo convite!
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